Até o momento, as investigações não apontam o envolvimento de políticos ou administradores públicos nas fraudes
A Polícia Federal (PF) prendeu nesta terça-feira (11/3) sete pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema de fraudes de fundos de pensão de servidores municipais em todos o país. A operação, intitulada Fundo Perdido, identificou fraudes nos fundos de 107 prefeituras de nove Estados; entre elas, Goiás. ...
O Jornal Opção Online entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da PF em São Paulo. A corporação informou que não fornecerá a lista dos municípios citados na ação, nem a quantidade de prefeituras goianas envolvidas. A PF alega que a divulgação traria danos às cidades onde o prejuízo verificado não é considerado significativo.
Além de Goiás, os Estados de Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Pernambuco, Pará, Rondônia, Maranhão e Mato Grosso do Sul também são citados na operação. Durante a Fundo Perdido, policiais realizaram 14 mandados de busca e apreensão em São Paulo e São José do Rio Preto, e apreenderam R$ 1 milhão em cheques.
Os envolvidos no sistema de fraude responderão pelos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta, fraude em licitação, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. As penas para esses crimes variam de 1 a 12 anos de prisão. Até o momento, as investigações não apontam o envolvimento de políticos ou administradores públicos nas fraudes.
O caso
A PF ainda não revelou a identidade dos presos, mas informou que o grupo montou uma empresa de consultoria financeira que deveria indicar as melhores opções de investimento aos fundos de pensão. Segundo as investigações, os investidores aliciavam gestores dos fundos das previdências municipais mediante pagamento de comissão para que aqueles fundos investissem nas aplicações sugeridas pela organização criminosa.
Dessa maneira, a empresa de consultoria cobraria R$ 600 de cada fundo de previdência para ter a incumbência de investir no mercado o dinheiro dos servidores. Conforme informou a PF, a ação do grupo, em longo prazo, comprometeria a aposentadoria dos contribuintes.
As investigações que desembocaram na Operação Fundo Perdido começaram em 2012, a partir de auditorias do Ministério da Previdência, que constataram fraudes nas aplicações.
Operação Miqueias
A ação Fundo Perdido se assemelha a outro caso recente. Deflagrada em 19 de setembro, a Operação Miqueias foi o centro de debates políticos e pautas jornalísticas. O foco das investigações também foi uma quadrilha especializada em desvios de recursos de fundos de pensão de Estados e municípios.
Seus desdobramentos colocaram sob os holofotes nomes como os da “pastinha” Luciane Hoepers, supostamente responsável por aliciar políticos para participarem do esquema, e dos deputados goianos Samuel Belchior, Leandro Vilela e Daniel Vilela (todos do PMDB), que estariam ligados à Luciane. Belchior, que também é presidente estadual de seu partido, chegou a ser conduzido coercitivamente para prestar depoimento.
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