quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Polícia faz operação contra envolvidos em grampos sobre propina no GDF

Agentes da Decap cumprem mandados de busca e apreensão em secretarias do Governo do DF e residências de servidores comissionados para colher provas no caso de denúncia feita pela sindicalista Marli Rodrigues de pagamento de “comissão” para evitar descredenciamento do SindSaúde

A Delegacia Especial de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap) cumpre nesta quarta-feira (17/8) oito mandados de busca e apreensão em secretarias instaladas no Palácio do Buriti, na sede da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) e residências de servidores comissionados para colher provas sobre as denúncias de um suposto esquema de pagamento de propina no Governo do DF. A operação, em parceria com o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), tem como alvos as pessoas envolvidas nos grampos feitos pela presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues.
O objetivo é apreender documentos, computadores e outros elementos de prova, como emails, de extorsão por parte de servidores públicos. A operação é fruto das denúncias apresentadas por Marli Rodrigues, que relatou um esquema de extorsão por parte de servidores para liberar contribuições sindicais.
Estão na mira da Decap o ex-ouvidor da vice-governadoria do DF Valdecir Medeiros; o ex-técnico em políticas públicas e gestão governamental da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag) Edvaldo Simplício da Silva; e Christian Michael Popov, ex-gerente de Cessões, Requisições e Ressarcimentos da Seplag.
Edvaldo aparece nas gravações como suposto intermediador entre a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) e o SindSaúde, na tentativa de evitar que o sindicato, por falta de certidões que deveriam ser apresentadas ao governo, perdesse recursos descontados no contracheque de servidores filiados à entidade. Ele foi apresentado a Marli Rodrigues por Valdecir Marques Medeiros, amigo pessoal do vice-governador Renato Santana. Marques, que era funcionário do SindSaúde cedido à Vice-Governadoria como ouvidor, foi exonerado no dia 25 de julho.
Segundo as denúncias, o servidor Edvaldo receberia pagamentos por uma “consultoria”, enquanto o processo seria “paralisado” dentro da secretaria até que as certidões fossem todas entregues. O caso foi denunciado pela sindicalista à Casa Civil no fim do ano passado e entregue para investigação da Decap.

Descredenciamento
Em novembro do ano passado, Marli teria gravado um encontro realizado entre ela, Edvaldo e Valdecir, após o SindSaúde receber uma carta convocatória assinada por Christian Michael Popov. O documento exigia novas certidões em um prazo de 30 dias para que a entidade não perdesse o repasse das consignações descontadas em folha de pagamento dos servidores.
Porém, o sindicato tinha pendências em função de dívidas trabalhistas e queria ajuda para regularizar a situação e não ser descredenciado. Segundo as investigações, Valdecir entrou em contato com Edvaldo, que teria proposto uma “consultoria” ao custo de R$ 214 mil. Em troca, os servidores tentariam segurar o processo na Seplag para que o sindicato não fosse descredenciado. Diante da oferta dos servidores, Marli fez a denúncia à Casa Civil.

CPI da Saúde
A operação foi deflagrada no mesmo dia em que a CPI da Saúde ouve, na Câmara Legislativa, o ex-assessor do GDF Caio Barbieri. Foi ele quem primeiro comunicou à Casa Civil sobre a suposta extorsão de integrantes do governo local ao SindSaúde. Antes de assumir a assessoria de imprensa do Turismo, Caio Barbieri, que é jornalista, trabalhava na Casa Civil. Ele também atuou como assessor do SindSaúde. Por isso, a relação muito próxima com Marli Rodrigues. Após a divulgação das gravações, ele também foi exonerado.
Barbieri contou que, em novembro de 2015, foi procurado por Marli e, a partir desse contato, fez a intermediação dela com o chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, na época seu superior imediato. Foi Barbieri também quem ajudou Marli a conduzir o assunto até o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) desde janeiro deste ano.
Outras gravações
O caso dos grampos, entretanto, extrapola as relações do sindicato com servidores do GDF. Áudios divulgados em 15 de julho, Marli e o vice-governador Renato Santana falam em um esquema de propinas em contratos da Secretaria de Saúde que giraria em torno de 10% e 30%. A gravação teria sido realizada na casa de Valdecir, em Águas Claras. Tanto Edvaldo quanto Valdeci foram exonerados pelo governador Rodrigo Rollemberg.


FONTE:http://www.metropoles.com/distrito-federal/politica-df/policia-faz-operacao-contra-envolvidos-em-grampos-sobre-propina-no-gdf

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Thiago Braz supera abandono e lesão para ganhar ouro no Rio 2016

  • O atleta brasileiro treina na Itália, é casado e foi criado pelos avós. Conheça a emocionante história desse jovem de 22 anos

A história do campeão olímpico Thiago Braz envolve talento e superação. Quando criança, foi abandonado pela mãe, sendo criado pelos avós. Em 2014, uma lesão no punho esquerdo assustou, mas depois de uma cirurgia, ele pode participar da histórica final, nessa segunda-feira (15/8), que lhe rendeu a primeira medalha de ouro no salto com vara masculino do Brasil.

A dor de ter sido abandonado pela mãe foi substituída pela presença forte do avô e da avó. “Todas as qualidades que tenho hoje vieram dos ensinamentos deles, que foram meus pais na realidade”, contou ao Globo Esporte. Ao lado da família, o menino de Marília (SP) começou a carreira que culminaria na vitória sobre o campeão olímpico Renaud Lavillenie.

Em 2014, Thiago se mudou para Fórmia, na Itália. Lá, ele treina em um centro de atletismo moderno, sempre ao lado do treinador ucraniano Vitaly Petrov — que tem no currículo pupilos como Sergey Bubka e Yelena Isinbayeva.
Amor atlético
A vida de Thiago gira em torno dos saltos. Ele é casado há dois anos com Ana Paula Oliveira, que é atleta de salto em altura — porém, ela não conseguiu índice para disputar os Jogos Rio 2016. Os dois se conheceram no mundo do atletismo e também compartilham forte devoção religiosa.
Apoio premiado
No Brasil, Thiago treinava com Elson Miranda, técnico e marido da também campeã olímpica Fabiana Murer. Ao trocar Marília pela Itália, o jovem contou com o apoio da colega brasileira para se estabelecer na Europa.
Agradecimentos
Na hora de celebrar o maior feito de sua carreira, Thiago Braz ressaltou a importância da família nos momentos difíceis. Ele comentou a declaração da avó, que prometeu umas palmadas caso não saltasse direito.
Ela me ajudou muito nessa batalha, na nossa trajetória, é uma pessoa muito abençoada. Imagina chegar em casa e levar um puxão de orelha? É uma coisa que ninguém quer. Eu a amo muito"
Thiago Braz
O quarto colocado no ranking mundial também lembrou o lado espiritual. “Eu, dentro de mim mesmo, agradeço muito a Deus por tudo, por esse momento. É uma oportunidade incrível, onde todos me deram oportunidades de fazer meu melhor. Acho que as pessoas acreditaram em mim, e estavam do meu lado me apoiando e isso para mim é uma satisfação imensa. Poder completar uma prova com recorde pessoal e recorde olímpico, ganhando medalha de ouro. É uma coisa inexplicável”, afirmou.
Recorde olímpico
O brasileiro saltou 6,03 metros e, além de obter a melhor marca de sua carreira, cravou o novo recorde olímpico, transformando o estádio no palco da primeira grande conquista do atletismo nos últimos oito anos.
A última medalha do Brasil no atletismo havia sido o ouro de Maurren Maggi, no salto em distância nos Jogos de Pequim-2008. “É campeão”, gritavam os torcedores no Engenhão. Emocionado, o brasileiro desfilou com a bandeira brasileira.
O brasileiro travou uma disputa eletrizante com o francês Renaud Lavillenie, campeão olímpico e recordista mundial. Em sua última tentativa, Braz superou a marca de 6,03m e deixou o rival pressionado. Sob forte pressão da torcida, o francês não conseguiu superar a marca do brasileiro. Pertencia a ele o recorde olímpico, de 5,97 metros, registrado em Londres, onde faturou o ouro há quatro anos.
Os torcedores novamente se comportaram como se estivessem diante de um jogo de futebol. O francês era o rival e, mesmo contrariando a ética desportiva, foi vaiado. Em sua última tentativa, o francês, pouco antes de saltar, fez o sinal de negativo, reprovando a atitude. “Vamos respeitar a concentração dos atletas independente de sua nacionalidade”, pediu o locutor.
No final da prova, a exemplo do brasileiro, o francês Lavillenie (5,95m) e o norte-americano Sam Kendriks (5,85m) também desfilaram com as bandeiras de seus países. Decepcionados, os franceses não acreditavam, pois esperavam o bicampeonato olímpico.
O brasileiro teve uma grande noite. No primeiro salto, ele conseguiu superar 5,65m com facilidade, logo na primeira tentativa. Nessa altura, muitos atletas já ficam pelo caminho. Caso do argentino German Chiaraviglio, do grego Konstadinos Filippidis e do checo Michal Balner, campeão mundial em 2015. No final, a vitória com a marca inédita de 6,03m sobre o campeão olímpico.
Até então, Braz tinha como melhor marca da vida o 5,92 metros, que era o recorde sul-americano, obtido no ano passado. Porém, também registrara 5,93m em competição indoor, neste ano.
A conquista do saltador marca a nona medalha do Brasil nos Jogos do Rio-2016, sem contar a do boxeador Robson Conceição, que já tem garantida a prata – pode conquistar o ouro nesta terça(16) Também não leva em conta o pódio assegurado no vôlei de praia feminino, uma vez que as duas duplas estão na semifinal, o que garante ao menos o bronze. (Com informações da Agência Estado)

FONTE: http://www.metropoles.com/esportes/jogos-olimpicos-2016/thiago-braz-supera-abandono-e-lesao-para-ganhar-ouro-no-rio-2016

domingo, 14 de agosto de 2016

E-mails indicam repasse de R$ 100 mil a senador Magno Malta


Reprodução
O presidente da Itatiaia, Victor Penna Costa, e senador Magno Malta em evento da empresa
O presidente da Itatiaia, Victor Penna Costa, e o senador Magno Malta (PR-ES) em evento da empresa

Trocas de e-mail entre dirigentes de uma das maiores fabricantes de móveis de cozinha do país trazem indícios de repasse não declarado de R$ 100 mil para o senador Magno Malta (PR-ES). Os e-mails, obtidos pela Folha, são de 8 de setembro de 2014.

Outras mensagens entre funcionários e a direção da Cozinhas Itatiaia indicam que Malta viajou no avião particular da empresa em 2012 e 2013.

Malta, da bancada evangélica no Senado, nega ter recebido dinheiro da Itatiaia e afirma que voou no avião da firma para fazer palestras.

Os e-mails são conversas das quais participam o presidente da Itatiaia, Victor Penna Costa, o filho dele, Daniel Costa –que era gerente financeiro à época– e o então assessor da firma Hugo Gabrich.

Em um deles, o presidente da empresa diz que precisa pagar R$ 400 mil para "consultoria" de Gabrich. O assessor responde: "Estou entregando a NF [nota fiscal] que cobre o montante de R$ 500 mil conforme orientação do dr. Victor. Impostos serão incluídos na NF, totalizando R$ 575 mil."

Na nota emitida pela Vix Consulting, de Gabrich, a contratante é a Itatiaia. O acerto mostra que a contratante pagou os R$ 75 mil de impostos para a Vix –o que sugere que a nota foi encomendada.

Na sequência dos e-mails, Costa manda o filho depositar para a Vix Consulting somente R$ 475 mil. "Os outros 100.000 são para compensar a retirada em dinheiro de R$ 100.000 do Malta. Não sei como foi contabilizado [a saída desse valor da empresa]", escreve o presidente da firma.

O filho dele, então, pergunta: "Quem realizou o pagamento do Malta? Existe NF, foi declarado a doação?".

Victor encerra: "Não existe NF, não declaramos. Está em aberto, talvez como adiantamento para mim. Veja com Lailton [tesoureiro da empresa]. Favor apagar todos os e-mails sobre este assunto".

Procurado, Gabrich afirmou que sua empresa fez nota fria para justificar pagamentos não declarados da Itatiaia.

O destino do restante do valor da nota (R$ 400 mil) não aparece na troca de e-mails.

A pedido da reportagem, as origens das mensagens foram analisadas pelo perito em ciências forenses Reginaldo Tirotti. O especialista atestou a autenticidade delas, identificando a sequência de códigos gerados pelos remetentes das mensagens.

A Itatiaia foi fundada em 1964 e tem duas fábricas, em Ubá (MG) e em Sooretama (ES).

Em outro e-mail, de 8 de julho de 2014, um ano após a Itatiaia inaugurar a unidade capixaba, que recebeu incentivos fiscais, Gabrich descreve a Victor Costa o cenário político no Espírito Santo.

Menciona candidatos "viáveis" ao governo, fala de Malta, que "fechou aliança com o governador Casagrande", da mulher dele, Lauriete, que "não disputará a reeleição para deputada federal", e do "nosso deputado estadual, o Marcelo Santos - PMDB".

"Não tenho dinheiro para todos", responde o presidente da Itatiaia. "Não posso dar mais para deputado estadual que para senador."

Gabrich diz: "O Magno não é candidato agora a nada."

Folha obteve também uma troca de mensagens entre Gabrich e Malta, que usa seu e-mail pessoal. Gabrich fala dos R$ 100 mil da Itatiaia e o senador responde: "Amigo não tenho conhecimento de nada dessas coisas.. Mas dia 16 estarei de volta a Brasília [sic]".

O ex-assessor da Itatiaia envia, então, cópia de conversas da direção da empresa que citam o político, que rebate: "Somos amigo Hugo.. Sempre fomos. Dia 16 te espero para o almoço no gabinete kkkk a rabada lembra?? [sic]".

JATINHO
Outros e-mails mostram que o senador usou avião particular da Itatiaia ao menos duas vezes: em 20 de julho de 2012, de Vitória a Aracaju (SE), e em 28 de fevereiro de 2013, no trajeto Brasília-São Paulo.

Em 22 de fevereiro daquele ano, uma secretária da Itatiaia agenda um voo para Costa, Gabrich e o senador. Em 28 de fevereiro, Malta vai com Gabrich ao BNDES –a reunião não constou da agenda oficial, informou o banco.

Sobre a viagem a Aracaju, há um e-mail enviado ao presidente da Itatiaia pelo então diretor Beto Rigoni, que relata problemas no trajeto.

"Eram 7 pessoas quando só cabem 4 no avião. O Yunes [piloto] tinha duas opções: dar duas viagens ou colocava todos dentro na aeronave. Como o senador pressionou ele bastante, ele [...] seguiu para Aracaju em 8 pessoas dentro do avião (além da insegurança, fizeram uma 'festa no ar')."

"Nós precisamos começar a cortá-lo. Os acionistas também não querem tanta proximidade", responde Costa.

FONTE  http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/08/1802586-e-mails-indicam-repasse-de-r-100-mil-a-senador-magno-malta.shtml