Suplente de deputado federal, preso neste sábado, foi flagrado conversando com gerente da Caixa que também teria participado do golpe, segundo a PF
O suplente de deputado federal Ernesto Vieira Carvalho Neto (PMDB-MA), preso pela Polícia Federal sob a acusação de ser um dos integrantes da quadrilha que desviou R$ 73 milhões da Caixa Econômica Federal usando um falso prêmio da Mega-Sena, havia comprado recentemente um avião de pequeno porte. A polícia acredita que o aparelho, já apreendido, foi adquirido com o dinheiro do desfalque.
Neto e mais quatro pessoas, entre elas o gerente da agência da Caixa Econômica Federal em Tocantinópolis, Robson Pereira do Nascimento, foram detidos na Operação Éskhara da PF neste sábado (19). As investigações e diligências prosseguem.
Outras operações da Polícia Federal
O suplente de deputado federal Ernesto Vieira Carvalho Neto (PMDB-MA) foi preso neste sábado (19/1/2014) sob a acusação de ser o mentor de fraude contra a Caixa. Foto: Reprodução/TV Anhanguera
De acordo com o delegado Omar Pepow, há gravações de conversas telefônicas em que o ex-gerente, pouco antes de ser preso (o que ocorreu no final do ano passado), pede ajuda ao suplente de deputado para se defender, demonstrando já ter conhecimento de que a PF investigava o assunto e identificara alguns dos envolvidos no esquema.
A Caixa, que informou que o valor desviado é a maior fraude de sua história, disse que seus gerentes possuem uma senha de acesso para incluir no sistema informações sobre ganhadores de loterias. Porém esses valores são auditados com frequência - o desvio foi descoberto três dias depois que o dinheiro foi depositado numa conta aberta com dados fornecidos pelo político maranhense, com a anuência do gerente.
A Polícia Federal deu início na manhã deste sábado (18) à operação Éskhara, que ocorre em três Estados simultaneamente para tentar desarticular uma organização criminosa que praticou fraude milionária contra a Caixa Econômica Federal no final do ano passado.
Segundo informações da Caixa à PF, é a maior fraude já sofrida pela instituição em toda a sua história.
A operação está sendo articulada ao mesmo tempo em Goiás, Maranhão e São Paulo. Ao todo, estão sendo cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de condução coercitiva.
Segundo a PF, os criminosos abriram uma conta corrente na Caixa no município de Tocantinópolis (TO), em nome de uma pessoa fictícia, para receber um falso prêmio da Mega-Sena de R$ 73 milhões. Em seguida, o dinheiro creditado foi transferido para diversas contas.
Até agora, cerca de 70% do valor foi recuperado. Há indícios da participação de um suplente de deputado federal do estado do Maranhão no crime, de acordo com a PF. O gerente geral da agência em Tocantinópolis já foi preso.
Os envolvidos responderão pelos crimes de peculato , receptação majorada, formação de quadrilha e da Lei 9.613/98 (lavagem de dinheiro), cujas penas somadas, caso condenados, podem chegar a 29 anos de reclusão.
Cristina é acusada de envolvimento nos negócios do marido suspeito de corrupção (foto de arquivo)
Essa é a primeira vez que um membro da família real espanhola é questionado na Justiça por acusações de corrupção, em um caso que vem causando sérios danos à imagem da monarquia do país.
As acusações são relacionadas a atividades do marido da princesa, o ex-jogador profissional de handebol Inaki Urdangarin, com quem ela se casou em 1997 e que, desde o final de 2011, passou a ser investigado pela polícia.
As suspeitas, segundo jornais espanhóis, eram de que Urdangarin e seu então sócio, Diego Torres, haviam usado sua ONG, o Instituto Noos, para organizar eventos para os governos regionais de Valência e das Ilhas Baleares a preços altamente inflacionados.
Estratégia Real
Listado como suspeito, o marido da princesa teve de depor duas vezes em um tribunal de Palma, em Maiorca, uma em 2012, outra em 2013.
Em 2012, na entrada da corte, Urdangarin parou brevemente em frente aos jornalistas presentes para afirmar, desafiadoramente, que era inocente e estava pronto para limpar seu nome.
Antes disso, o rei Juan Carlos tinha realçado, em um discurso de Natal em 2011, que "a justiça é a mesma para todos", o que foi interpretado como um sinal de que a princesa Cristina não teria ligação direta com as acusações contra seu marido.
Mas, no decorrer das investigações, acompanhadas com grande interesse pela mídia do país, começaram a surgir dúvidas sobre sua participação no esquema. Em abril, Cristina foi formalmente considerada suspeita no caso e convocada para depor. Mas advogados recorreram, e o tribunal decidiu que não havia provas suficientes que justificassem sua convocação.
A mais recente decisão, de novamente indiciá-la e convocá-la a depor em março para ser interrogada sobre as acusações de lavagem de dinheiro e fraude fiscal, é fruto de descobertas de investigações mais recentes do juiz de acusação.
Algumas das acusações contra a princesa são centradas em torno do fato de ela ser dona, juntamente com o marido, de uma empresa chamada Aizoon, e que teria recebido dinheiro público indevidamente obtido pelo Instituto Nóos.
Os promotores alegam que o casal usou parte do dinheiro para ganho pessoal. Urdangarin continua negando que tivesse feito algo errado, e até agora não houve nenhuma condenação.
Príncipe 'popular'
Mas agora que a princesa foi indiciada e convocada para depor, ficou muito difícil para o rei distanciá-la das acusações de corrupção que cercam o marido.
A correspondente do jornal espanhol El Mundo para assuntos reais, Ana Romero, acredita que o escândalo já criou "uma incrível quantidade de danos" à imagem da família real; uma pesquisa recente de um jornal constatou que 62% das pessoas querem que o rei Juan Carlos abdique.
A pesquisa também descobriu que 78% de pessoas entre 18 e 30 anos querem que o rei renuncie. E um pouco mais da metade dos entrevistados disse que não apoiam a monarquia - um resultado que vai agradar aqueles na Espanha que têm boas lembranças do passado republicano do país.
O único raio de luz vindo da pesquisa para os monarquistas é que dois terços tinham uma visão favorável do príncipe Felipe, filho do rei e herdeiro do trono.
Os sinais da idade começam a pesar sobre o rei Juan Carlos, que recentemente se submeteu a várias cirurgias; vários jornais apontaram para a fragilidade física demonstrada pelo rei em um discurso na segunda-feira, em uma cerimônia militar anual.
Ana Romero acredita que, se o rei abdicar, não será em breve. Ela acha que Juan Carlos deve permanecer no trono pelo resto do ano, até ter "limpado os problemas" da casa abrindo caminho para a coroação de seu filho.
Funcionários ligados à família real apoiam esse ponto de vista, argumentando que, se o rei tivesse que deixar o trono em um momento de escândalo na mídia, isso só enfraqueceria a instituição da monarquia na Espanha.