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sábado, 11 de janeiro de 2014

Preso de Pedrinhas diz que transferências devem gerar novos ataques em São Luís


Presos do CDP (Centro de Detenção Provisória), considerado o mais violento do complexo penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, ameaçam iniciar uma nova onda de ataques caso as transferências anunciadas pelos governos do Estado e federal sejam realizadas.
UOL teve acesso, com exclusividade, ao CDP, na tarde desta sexta-feira (10), durante visita da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. Foi a primeira equipe de reportagem a entrar no local desde que eclodiu a crise no sistema prisional do Maranhão, que tem como foco o complexo de Pedrinhas.
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UOL entra no complexo penitenciário de Pedrinhas14 fotos

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10.jan.2014 - Triagem do CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pedrinhas está superlotada; presos reclamam de falta de estrutura e insalubridade em celas Beto Macário/UOL
Segundo a Secretaria de Estado da Justiça e Administração Penitenciária, o CDP tem 698 presos, mas só tem capacidade para 402. Foi lá que três presos foram decapitados, em dezembro de 2013. Foi de lá também que partiram as ordens de ataques a ônibus no último dia 3. Por conta da tensão no local, a defensoria pública suspendeu os atendimentos no local.
Segundo um dos detentos, que prestou depoimento à comissão, os ataques aos ônibus ocorreram para que a PM (Policia Militar) –que ocupou o presídio no último dia 27-- deixasse o local. O temor agora é que a transferência seja efetivada.
"Eles tão com medo dessa transferência, eles não estão sabendo quem vai. Mas sei que, conforme seja, nos primeiros dias vai ter de novo [ataques] para tentar colocar pressão na população, na sociedade, na imprensa, no pessoal da secretaria, mas não vai ser assim [como esse] não. Tem uns aí que não podem mais cair por ali, pois não acataram a ordem, que era tirar todo mundo dos ônibus", disse o detento.
Segundo o preso, a ordem era não matar ninguém, mas o atentados resultaram em quatro feridos e a morte de uma criança de seis anos.
"Não era para matar ninguém. A ordem era só para tocar fogo em ônibus, para chamar a atenção e tirar a PM daqui. Era isso que eles queriam", afirmou.
Segundo a  presidente da comissão, Eliziane Gama (PPS), o clima de tensão aponta para a possibilidade de novas rebeliões, justamente pelos presos acusados de praticar os atentados.
"Eu percebi esse risco por conta da superlotação. O pessoal da triagem, que é o pessoal preso recentemente, inclusive o pessoal suspeito dos atentados, está numa situação mais complicada pelo nível de periculosidade. Precisaria dar atenção diferenciada", afirmou.


Briga entre facções

O detento afirmou ainda que a ordem de incendiar os ônibus partiu do Bonde dos 40, uma das duas facções criminosas que dominam o complexo. Por conta da morte da criança, e de outra ordem que não teria sido cumprida, um dos presos acusados de atacar o ônibus está marcado para morrer.
"Eles estão brigando porque duas ordens que foram feitas e não foram cumpridas. Uma foi matar a criança, e a outra lá no Vila Nova, que deram ordem para o 'Babaninha' e fizeram errado. Era para não matar um pessoal lá", afirmou.
O detento ainda afirmou que a presença da PM no presídio conferiu mais ordem ao local. "A PM ajuda muito, eles têm medo. Em 2002, quando cheguei aqui, tinha polícia em todo canto. Ficavam aqui e não tinha morte não. Todo tempo teve respeito", disse.
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Violência no Maranhão34 fotos

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10.jan.2014 - Manifestantes fazem protesto, no centro de São Luís, no Maranhão, na tarde desta sexta-feira (10), pedindo a saída da cúpula da segurança e intervenção federal nos presídios do Estado. Eles saíram da praça Marechal Deodoro, em direção ao Palácio dos Leões. A segurança na sede do governo, foi reforçada. Homens da polícia colocaram uma grade para impedir que os manifestantes cheguem ao local Leia mais Carlos Madeiro/UOL

UOL presencia superlotação

UOL visitou celas e conversou com presos, que relataram uma série de problemas. O prédio aparenta ter boas condições, mas as celas são superlotadas. Em uma delas, havia 22 presos, onde há capacidade para apenas oito.
As celas são abafadas e extremamente quentes. Outra reclamação é que faltam roupas por muitos meses para eles, assim como aguardam andamento de processos.
Em meio ao aperto e rostos cobertos, muitos presos relatam que temem pela vida. Um preso fez questão de mostrar uma marca no dorso que, segundo ele, teria sido causada por um tiro de bala de borracha dado à queima-roupa. A denúncia é contra integrantes da Força Nacional, que está no local desde o dia 27.
Em uma das celas, dois presos mostram ferimentos no rosto. Eles não relataram o motivo. Na mesma cela, eles relatam que a água do banheiro é suja.
UOL

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Servidor do GDF é preso por demarcar lotes em área pública em Samambaia


Presos em regime semiaberto estavam com ele e também foram detidos.
Secretaria de Transportes diz que aguarda notificação para se manifestar.


Vista aérea da área em Samambaia Norte onde grileiros estão demarcando lotes para a venda (Foto: Reprodução/TV Globo)
Vista aérea da área em Samambaia Norte onde grileiros estão demarcando lotes para a venda (Foto: Reprodução/TV Globo)
Um servidor público da Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília (TCB), cedido à Secretaria de Transportes do Distrito Federal, foi preso na manhã desta quinta-feira (9) suspeito de demarcar lotes em área pública, para venda posterior, nas quadras 603 e 605, em Samambaia Norte. Na mesma ação, foram detidos quatro presos beneficiados por um programa de inclusão social – que permite trabalhar fora do presídio durante o dia e retornar ao local à noite.
A Secretaria de Transportes informou que aguarda uma notificação oficial para se manifestar sobre o assunto.

A TCB é uma empresa pública de transportes do DF. Entre as atribuições da companhia está o gerencimento dos ônibus do grupos Amaral e Viplan. As duas empresas sofreram intevenção do GDF recentemente.

Segundo o delegado-chefe da Delegacia do Meio Ambiente (Dema), Richard Valeriano Moreira, os policiais identificaram os suspeitos depois de constatar a presença de uma caminhonete com timbre do GDF no local. O veículo oficial também foi apreendido.
“Nossa equipe verificou durante a diligência que um servidor da TCB estava demarcando os lotes com a ajuda dos beneficiados da Funep [Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso]. O servidor desviou a finalidade os quatro presos, que estão sendo autuados. Já enviamos um comunicado ao juiz, que pode determinar uma regressão de pena”, diz Moreira.

Caso o juiz decida por reavaliar a condenação dos detentos, eles podem perder o benefício e ter de cumprir a pena dentro do presídio em regime fechado. O servidor preso pode ser liberado após pagamento de fiança.
Construções em área pública de Samambaia (Foto: Reprodução/TV Globo)Construções em área pública de Samambaia
(Foto: Reprodução/TV Globo)
A área invadida pertence a Terracap e mede o equivalente o três campos de futebol, de acordo com avaliação preliminar da polícia. Em alguns trechos, muros e casas já estão sendo erguidos. O local tem até nome: “Condomínio Renascer”.
Segundo Moreira, a ocupação fugiu do controle dos primeiros invasores, que estavam parcelando a área para venda.

“As pessoas que iniciaram o processo das vendas perderam o controle. Outras pessoas estão entrando espontaneamente para demarcar lotes, ou seja, estão acontecendo novas invasões”, diz o delegado.
Uma reportagem da TV Globo mostrou que um lote medindo 10m X 25m estava sendo vendido por R$ 45 mil. Os espaços estavam sendo vendidos por até R$ 70 mil.