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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Comandante-geral da PM garante retomada de policiais às ruas do DF

O coronel garantiu que militares envolvidos na operação tartaruga passarão por procedimentos disciplinares e poderão ser punidos com advertências e até demissão do cargo

De volta às ruas: policiais militares trabalharão massivamente até corporação conseguir restaurar segurança no DF, segundo o comandante-geral da PMDF  (Bruno Peres/CB/D.A Press)
De volta às ruas: policiais militares trabalharão massivamente até corporação conseguir restaurar segurança no DF, segundo o comandante-geral da PMDF


Após uma reunião com o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Anderson Carlos de Castro Moura, falou pela primeira vez, nesta sexta-feira (31/1), sobre as medidas que serão tomadas em relação a Operação Tartaruga - instaurada há dois meses no DF. O coronel garantiu que a partir de agora, os policiais militares que estão na liderança da operação vão atuar normalmente.


O coronel garantiu ainda que os militares trabalharão todos os dias até que a corporação restaure a ordem nas ruas do DF. Segundo ele, todos os policiais que participaram da Operação Tartaruga passarão por um procedimento disciplinar, podendo ser punidos com advertências e até mesmo demissão do cargo em que ocupam. De imediato, cinco policiais, identificados como líderes do movimento, foram afastados de suas funções.


O governador Agnelo Queiroz se reuniu hoje com a cúpula de segurança pública, no Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar do Distrito Federal para tratar sobre a violência que já deixou 73 mortos apenas no primeiro mês de 2014.

Agnelo chegou ao prédio da corporação acompanhado do secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar. Além do secretário, também participam do encontro os comandantes de todos os batalhões, chefes e diretores da Polícia Militar do DF.

FONTE: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2014/01/31/interna_cidadesdf,410596/comandante-geral-da-pm-garante-retomada-de-policiais-as-ruas-do-df.shtml

sábado, 11 de janeiro de 2014

Reféns do medo no Plano Piloto


Crimes violentos, como o latrocínio cometido contra um militar na 112 Sul, assustam a população, que adota hábitos para evitar ações de bandidos


Na banca de jornal da 107 Sul, o dono colocou três câmeras após movimentação maior de estranhos e usuários de drogas na quadra
Dar uma volta ao redor de casa, observar bem se há algum estranho por perto e ficar atento ao descer do carro. Nada de falar ao celular dentro do veículo estacionado ou caminhar distraído por aí. Diante da insegurança na capital federal em razão dos pontos de tráfico de drogas e dos constantes assaltos e sequestros, a população muda os hábitos em uma tentativa de diminuir as chances de abordagem criminosa.

Os crimes contra o patrimônio estão entre as maiores preocupações no Plano Piloto. No último dia 3, o militar João Carlos Franco de Souza, 66 anos, foi vítima de um latrocínio (roubo com morte) na 112 Sul ao chegar ao estacionamento do Bloco J, onde morava. Os bandidos queriam levar o carro dele, um i30. Na quadra, os moradores ficaram amendrontados. “Quem não fica assustado com uma gratuidade dessas?”, questiona a arquiteta Patrícia Montenegro. “A legislação favorece os bandidos e deixa as pessoas vulneráveis. A polícia parada lá fora não me tranquiliza.” ...

Recém-chegada a Brasília, a dona de casa Andrea Passini, 42 anos, diz não se sentir segura na capital federal, apesar de ter morado em São Paulo e em Salvador. “Aqui, eu notei a falta de policiamento nas ruas. Em Salvador, pelo menos, a gente via policiais circulando a pé. Aqui, não tem isso”, compara. Diante da criminalidade, ela sai de casa sem nenhum tipo de adereço ou joias. “Infelizmente, a gente trabalha e conquista as coisas, mas não pode usufruir”, lamenta.

Apesar de muitos se preocuparem com os riscos, há ainda aqueles mais displicentes. Na 407/408 Sul, diversas pessoas saíam de um supermercado falando ao celular e mandando mensagem sem olhar para os lados. Houve quem demorasse mais do que o necessário no veículo. Foi o caso de uma mulher que, ao fazer as compras, ficou dentro do automóvel por alguns instantes com a porta aberta e a bolsa à mostra. Mais adiante, uma senhora com um carrinho de compras guarda tranquilamente as sacolas no banco traseiro. Não  reparou que era fotografada pela reportagem.

Donos de bancas de jornal do Plano Piloto também investem em equipamentos de segurança. Na da 107 Sul, o proprietário instalou três câmeras. “A câmera filma muito bem. A qualidade é muito boa, e isso inibe um pouco”, acredita o operador de caixa Paulo Henrique dos Santos, 35 anos. O funcionário acrescenta que moradores evitam sair de casa quando observam a movimentação de pessoas estranhas ou usuários de droga. “Os clientes ligam e pedem para a gente entregar as coisas para eles porque têm medo. Os idosos são cismados porque se sentem mais vulneráveis”, conta.

A PM diz fazer rondas diuturnas e abordagens a suspeitos no DF. A Secretaria de Segurança Pública informou que, semanalmente, organiza reuniões com os moradores para identificar problemas. Segundo o secretário de Segurança Pública em exercício, Paulo Roberto Batista, essa participação é fundamental. “É um canal aberto diretamente com a secretaria, acredita.

Dicas

»  Antes de parar em um estacionamento, organize os objetos que você vai precisar e saia do carro com rapidez.
»  Oriente os empregados e os familiares a não darem notícias sobre você ou informações pessoais por telefone.
»  Se for buscar os filhos no colégio, seja pontual.
»  Não circule sozinho em ruas vazias ou escuras.
»  Fique atento à aproximação de carros suspeitos.
»  Não estacione o veículo em locais isolados e sem iluminação.
»  Mude a rotina e o itinerário
caso se sinta seguido, mas avise a mais de uma pessoa conhecida.
»  Se observar algum movimento suspeito ao redor do veículo,
ligue imediatamente
para a Polícia Militar (190).

Depoimento

“Saio do carro logo”

“Sempre dou uma volta na quadra e, quando chego para estacionar, já vou tirando o cinto (de segurança), pego a bolsa e saio do carro logo. É muito rápido. Quando eu preciso ir ao comércio, tomo o cuidado de observar tudo ao meu redor e costumo deixar o carro dentro da quadra porque já fui intimidada por um pivete. Ele me pediu dinheiro, e eu peguei algumas moedinhas que estavam no carro. Só tinha R$ 0,15, ele não gostou e me ameaçou. Depois disso, eu resolvi só parar dentro da quadra.”
Fonte: Correio Braziliense

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

18 homicídios em seis dias


Crimes violentos marcam o início do ano no Distrito Federal, que tem a média de um assassinato a cada 8h. Latrocínios (roubos com morte) também assustam a capital. Planaltina e Ceilândia concentram os casos mais graves.

Em Planaltina, jovem de 20 anos levou três tiros na Quadra 6 e ainda sofreu um atropelamento na fuga
Planaltina lidera o ranking das cidades mais violentas no começo de 2014. A região administrativa de 230 mil habitantes contabilizou quatro homicídios, sete tentativas de assassinato, um latrocínio e uma tentativa de roubo com morte nos seis primeiros dias de 2014. Em segundo lugar, aparece Ceilândia, com dois homicídios e 10 feridos. No Distrito Federal, 20 pessoas foram atacadas a facadas, com disparos de armas de fogo ou por outro crime violento que levou à morte. Os casos ocorreram até a última segunda-feira. A Secretaria de Segurança Pública justifica a violência por meio do envolvimento das vítimas com o tráfico de drogas ou outros delitos.

Os dados da pasta revelam ainda que, nos seis primeiros dias do ano, uma pessoa foi assassinada a cada 8h na capital. Os 18 homicídios ocorreram em 10 regiões administrativas (veja mapa). O número é maior quando somados os dois latrocínios registrados também em 2014. Em um deles, um militar da reserva morreu após ser baleado na cabeça quando chegava em casa, na 112 Sul. Ontem, três suspeitos do crime foram  detidos. (leia mais na página ao lado). O DF registrou ainda 39 tentativas de latrocínio e de homicídio na primeira semana. ...

Se a violência for mantida, 2014 vai acabar com mais de 1 mil pessoas assassinadas. Em janeiro de 2013, segundo a Secretaria de Segurança Pública, o Distrito Federal contabilizou 49 homicídios e 86 tentativas. No ano anterior, os números do primeiro mês ficaram em 48 e 104, respectivamente. No ano passado, os latrocínios contabilizaram quatro casos e as tentativas chegaram a 16. Em 2012, no mesmo período, foram seis roubos com morte e 25 tentativas.



Ações
O secretário adjunto de Segurança Pública, coronel Roberto Oliveira, defende que a média diária de homicídios é a mesma dos últimos anos, mas reconhece que os índices registrados são altos. O oficial afirma que, em quase 90% dos casos, quem morreu ou ficou ferido tinha algum tipo de vínculo criminoso. “Os números não estão evoluindo, estão mantendo a média. Percebemos que, desde o fim do ano passado, as vítimas de homicídio estavam relacionadas a outros crimes”, diz.

Oliveira nega que, ao vincular os assassinatos ao tráfico, o comércio das drogas esteja em alta no DF. “Pelo contrário. Tivemos apreensão recorde de drogas no ano passado. Foram quase 3 toneladas apreendidas. Quando se faz repressão ao tráfico, a droga sai do mercado e, então, começa uma disputa interna. Por isso, faremos um trabalho de inteligência para dar uma pausa nisso”, garante o secretário.

Segundo o secretário adjunto, ações integradas devem ser desencadeadas na capital nos próximos dias. “Serão realizadas operações em vários pontos do DF e cumpriremos mandados de prisão e de apreensão. A preocupação com os homicídios é grande, e vamos trabalhar forte para diminuir a incidência”, afirma. A Administração Regional de Planaltina informou que reuniões com a polícia são feitas periodicamente com o objetivo de traçar estratégias para melhorar a segurança da cidade.


Ecstasy
Em agosto do ano passado, a Coordenação de Repressão às Drogas(Cord) impediu, em apenas uma ação, a entrada no DF de 2.663 comprimidos vindos do Paraguai. A pílulas seriam comercializadas em Taguatinga, em Águas Claras e no Guará. Nos primeiros oito meses do ano, a Polícia Civil recolheu 5.950 comprimidos da droga.

Balanço

Homicídios 
1º de janeiro      4
2 de janeiro      5
3 de janeiro      1
4 de janeiro      2
5 de janeiro      2
6 de janeiro      4
Total    18

Tentativa de homicídio 
1º de janeiro      8
2 de janeiro      5
3 de janeiro      4
4 de janeiro      3
5 de janeiro      6
6 de janeiro      3
7 de janeiro      4
Total     33

Latrocínio 
1º de janeiro      1
3 de janeiro      1
Total    2

Tentativa de latrocínio 
1º de janeiro      2
4 de janeiro      1
5 de janeiro      1
6 de janeiro      2
Total    6

"Serão realizadas operações em vários pontos do DF e cumpriremos mandados de prisão e de apreensão. A preocupação com os homicídios é grande, e vamos trabalhar forte para diminuir a incidência”

Coronel Roberto Oliveira,
secretário adjunto de Segurança Pública


Memória

4 de janeiro 
Quatro pessoas foram baleadas em Planaltina. Duas vítimas não resistiram aos ferimentos. A primeira era um jovem de 25 anos, que conversava com duas pessoas em um bar, na Quadra 1 do Arapoanga, quando teria começado uma briga com uma delas. O rapaz acabou atingido por um tiro na cabeça. No dia seguinte, por volta da 1h, um rapaz de 20 anos estava com um amigo na Quadra 6, onde foi ferido por três disparos. A vítima correu até a Quadra 13, mas foi atropelada por um veículo e arrastado por alguns metros.

6 de janeiro
Um adolescente de 17 anos foi encontrado morto na QNQ 3 de Ceilândia Norte, no Sol Nascente. De acordo com a Polícia Civil, a vítima foi morta com vários tiros.
Um jovem de 18 anos levou um tiro na perna esquerda após ser assaltado na Quadra 10 do Arapoanga. De acordo com a Polícia Militar, Hélio Ribeiro da Costa estava perto de casa quando foi abordado e teve a bicicleta levada pelos criminosos. Ao tentar fugir do assalto, os suspeitos dispararam duas vezes contra a vítima.

No início da tarde, uma adolescente de 15 anos foi baleada na cabeça na Estrutural. Ela estava sozinha quando foi abordada pelos criminosos, que fugiram sem que fossem identificados. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas a garota morreu antes da chegada do socorro.

Em São Sebastião, um assassinato no fim da tarde tirou a vida de um rapaz de 19 anos. A vítima foi baleada várias vezes e morreu na hora. O crime ocorreu na Rua 53, no bairro Vila Nova.

7 de janeiro 
Um homem foi morto depois de atingido por um tiro na Quadra 3 do Setor Leste, no Gama. A vítima tinha 18 anos e chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Regional do Gama, mas não resistiu aos ferimentos.

Um homem de 29 anos, morador de São Sebastião, foi assassinado com três tiros na porta de casa por dois homens que passavam de bicicleta.
Fonte: Correio Braziliense