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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

"É preciso dizer ao mundo que o Brasil é um país democrático", diz ministro


O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, responsável no governo pela interlocução com movimentos sociais disse nesta terça-feira que "é preciso dizer ao mundo que o Brasil é um país democrático". A declaração do ministro ocorreu diante de uma pergunta sobre correspondência da Organização das Nações Unidas (ONU) cobrando explicações por "uso excessivo" de força policial nas manifestações de junho.
"O governo brasileiro já deu mostras e a presidenta Dilma já anunciou que nós levaremos o compromisso de dar toda a segurança a todos aqueles que de outros países vierem aqui celebrar conosco a Copa", afirmou o ministro.
Segundo Carvalho, "o Brasil tem uma tradição de hospitalidade, de receber, uma culturanossa do acolhimento". "O que nós não podemos aceitar é essa discriminação ou qualquer atitude que mostre que o Brasil é um País inóspito ou que ofereça risco ao turista. Isso nós não podemos aceitar, até pelo empenho que estamos fazendo e faremos ainda mais para que a Copa seja a Copa das Copas e de fato uma celebração de combate a todo o tipo de discriminação, ao racismo e pela paz", disse.
Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo desta terça-feira revela que por meio de uma correspondência sigilosa datada de junho do ano passado, a ONU se mostrou “profundamente preocupada” e denunciou supostas violações de direitos humanos por parte das autoridades para conter a onda de protestos que tomou as ruas do Brasil no meio do ano passado. 
Segundo o jornal, até 1º de fevereiro deste ano, o governo brasileiro não havia dado resposta formal à organização.
Gilberto Carvalho reiterou a posição do governo de que o mundial será um sucesso e que quem tentar politizar a Copa "não vai se dar bem". "O povo brasileiro adora futebol e espera a Copa. Nós faremos da Copa uma grande festa popular. Tomaremos iniciativas para que de fato ajam formas de participação popular na Copa. Então, acho que quem tentar politizar não vai se dar bem. Futebol é uma coisa, política é outra", disse o ministro.
FONTE: http://www.jb.com.br/pais/noticias/2014/02/26/e-preciso-dizer-ao-mundo-que-o-brasil-e-um-pais-democratico-diz-ministro/

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Para Planalto, PMDB 'blefa' ao insinuar que deixará governo

Irritada com a resistência da presidente Dilma Rousseff em dar mais um ministério ao PMDB, a cúpula do partido chegou a resgatar na terça-feira (14) a ideia de antecipar de junho para abril a convenção nacional que escolherá o caminho da legenda nas eleições presidenciais deste ano.

A possibilidade de antecipar o calendário, uma ameaça velada para expor publicamente o risco de desembarque do PMDB do governo, surtiu pouco efeito. No Planalto, interlocutores de Dilma classificaram a ameaça como "blefe". Em dezembro, proposta semelhante já fora ventilada pelo partido.

O PMDB tem cinco ministérios (Minas e Energia; Previdência; Turismo; Agricultura e Secretaria de Aviação Civil) e quer ganhar a pasta de Integração Nacional.

Mas, em conversa preliminar na noite de segunta-feira (13) com o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), Dilma sinalizou ter outras prioridades. A presidente disse que precisa contemplar outros aliados, como PTB, Pros e PSD, e assim evitar que eles migrem para a oposição.

Também avaliou que o PSD, de Gilberto Kassab, está sub-representado e disse que tende a manter o PP no Ministérios das Cidades, pois não quer ver o aliado gravitando na órbita de algum dos dois principais adversários nas eleições deste ano.

O objetivo da presidente na reforma é não perder o apoio de legendas hoje na base do governo. Quanto mais partidos na chapa de um candidato, mais tempo de TV ele terá na campanha.

Dilma deu, na terça, seguimento às negociações sobre a reforma. À tarde, ela recebeu o presidente nacional do PT, Rui Falcão.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/01/1397966-para-planalto-pmdb-blefa-ao-insinuar-que-deixara-governo.shtml

domingo, 12 de janeiro de 2014

Segurança durante a Copa: o principal calo de Dilma Rousseff


 

Depois do desgaste sofrido com as manifestações durante a Copa das Confederações, em junho do ano passado, a presidente Dilma Rousseff resolveu tomar para si o controle sobre tudo que envolve o Mundial de futebol. Em uma das reuniões para tratar da organização do Mundial de futebol, a presidente, que viu a popularidade despencar durante os jogos, pediu ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que tente garantir a segurança sem nenhuma falha. A preocupação dela com a proteção dos brasileiros, turistas, delegações e chefes de estados, pelo menos resultou em uma medida concreta. Esta semana, foi publicado um decreto que, em uma estratégia de reforço, remanejou funcionários para a Secretaria-Geral da Presidência, responsável pela ponte entre o governo e os movimentos sociais. Além da segurança, a presidente está de olho em todo cronograma do evento. ...

O decreto prevê que a função dos funcionários seja a “promoção do diálogo com os movimentos e segmentos sociais por ocasião da Copa do Mundo de 2014”. O documento foi chancelado pelo governo no momento em que ocorre uma convocação para o fim do mês de uma manifestação com uma bandeira anti-Copa. Nesse contexto, a presidente também discutiu com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, o lançamento de um programa para o Mundial, o Brasil Voluntário. Na edição anterior do programa direcionado para a Copa das Confederações, o governo fez uma grande festa em torno da ação, lançada nesta época do ano.

Ontem à tarde, o Ministério do Esporte anunciou, na página do Portal da Copa em uma rede social, que haverá novidades sobre o Brasil Voluntário. Diferentemente do ano passado, a pasta não confirmou se há planos para o lançamento e se limitou a dizer que as inscrições abrem no próximo dia 14, sem mais detalhes. O programa é uma ação ampla, que conta com o apoio dos ministérios da Defesa, do Turismo, da Ciência e Tecnologia, da Casa Civil, das Relações Exteriores, do Trabalho, da Educação, da Saúde, da Justiça, do Planejamento, de Orçamento e Gestão, além da Secretaria de Aviação Civil. Alguns dos comandantes das pastas participaram da reunião de quarta-feira com a presidente para discutir as preparações para a Copa.
Fonte: Correio Braziliense

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A incrível, a estonteante, a espantosa entrevista concedida por Roseana Sarney ao lado de Cardozo, o silencioso! Ou: Segundo governadora, o Maranhão está mais violento porque está mais rico


Roseana durante entrevista coletiva, observada por José Eduardo Cardozo, o silencioso (foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
Roseana durante entrevista coletiva, observada por José Eduardo Cardozo, o silencioso (foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

Santo Deus! Chega a ser difícil saber por onde começar. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o Garboso, foi nesta quinta ao Maranhão. O homem normalmente falastrão e buliçoso quando se trata de depredar a reputação de governos de oposição manteve o silêncio que o notabilizou diante da carnificina maranhense. A razão é simples. O PT foi vice na chapa que elegeu Roseana Sarney. Seu pai, o senador José Sarney (AP), tem influência decisiva em fatia considerável do PMDB. E Dilma não quer confusão com essa gente. Por isso a presidente também está calada. Nem mesmo uma miserável manifestação de solidariedade com a família da menina Ana Clara. Nada! O ministro e a governadora anunciaram um pacote de medidas. Numa impressionante, estarrecedora, estupefaciente entrevista coletiva, Roseana fez jus ao clichê segundo o qual quem sai aos seus não degenera. Li as coisas que ela disse, olhei bem para a foto acima e tive de voltar no tempo — 360 anos para ser mais preciso.
Trezentos e sessenta anos? É. Voltei ao “Sermão da Quinta Dominga da Quaresma”, pronunciado por Padre Vieira em São Luís no ano de 1654. Escreveu o padre:
“Os vícios da língua são tantos, que fez Drexélio um abecedário inteiro e muito copioso deles. E se as letras deste abecedário se repartissem pelos estados de Portugal, que letra tocaria ao nosso Maranhão? Não há dúvida, que o M. M-Maranhão, M-murmurar, M-motejar, M-maldizer, M-malsinar, M-mexericar, e, sobretudo, M-mentir: mentir com as palavras, mentir com as obras, mentir com os pensamentos, que de todos e por todos os modos aqui se mente.”
Mais adiante, referindo-se à instabilidade do tempo e às chuvas repentinas, Vieira afirmou:
“De maneira que o sol, que em toda a parte é a regra certa e infalível por onde se medem os tempos, os lugares, as alturas, em chegando à terra do Maranhão, até ele mente. E terra onde até o sol mente, vede que verdade falarão aqueles sobre cujas cabeças e corações ele influi.”
Vieira, como é sabido, protegia os pequenos e os pobres em suas invectivas, voltadas invariavelmente contra os poderosos do seu tempo — e justamente os instalados no Maranhão, base de sua atuação jesuítica.
Roseana estava mesmo com a Família Sarney no corpo. Ela encontrou uma curiosa explicação para o recrudescimento da violência no estado — o que me ajudou a entender a atuação do clã nos últimos 50 anos:
“O Maranhão está atraindo empresas e investimentos. Um dos problemas que está piorando a segurança é que o Estado está mais rico, o que aumenta o número de habitantes”.
Agora entendi o que, a esta altura, a gente poderia considerar um esforço determinado, consciente e, sem dúvida, bem-sucedido dos Sarneys em favor do atraso. Antes, os maranhenses eram pobres, pacíficos e felizes. Aí, sabem como é, foi chegando o progresso e… piorou tudo! Notem que a fala da governadora traz a sugestão de que a violência vem de fora, não é coisa dos maranhenses — o “aumento do número de habitantes” só pode se referir aos forasteiros… Outro trecho de sua fala reforça esse especioso ponto de vista:
“O que aconteceu me chocou, e a todo o Maranhão, porque o povo do Maranhão não é violento. O que aconteceu lá é algo inexplicável. Estou até agora chocada com o que aconteceu lá, porque o que existe são brigas de facções. E elas são muito violentas. Acaba havendo problemas de morte no presídio.”
Roseana também disse, sabe-se lá por quê, ter sido “pega de surpresa”. É mesmo? Aí vem um trecho de sua fala que teria emudecido até Padre Vieira, aquele que não se calou nem diante do Tribunal do Santo Ofício:
“Até setembro, Pedrinhas tinha constatado 39 mortes. Em 2012, tinha 4 mortes. Então, até setembro, 39 estava dentro do que era o limite que se esperava. Em setembro teve a destruição da Cadet [Casa de Detenção] e lá tiveram (sic) mais mortes. Tivemos de tomar providência. Isso não significa que não tomamos providências antes.”
José Eduardo Cardozo, aquele que gosta de conceder entrevistas esculhambando a segurança pública de estados governados pela oposição, ouvia a tudo, em silêncio, com olhar pensativo. Vamos entender direito o que falou esta senhora.
Há mais de 550 mil presos no Brasil. No ano passado, 218 foram assassinados. Dos 550 mil, sabem quantos estão no Maranhão? Pouco mais de 5 mil — 5.417 em 2012. Digamos que os assassinatos tivessem parado nos 39 — o número que a governadora considera “o limite que se esperava”: fosse assim, com menos de 1% dos presos, o Maranhão já responderia por 17,8% da mortes. E Roseana consideraria tudo dentro de certo padrão de normalidade. Acontece que a coisa não parou nos 39, não. Chegou a 62 — menos de 1% dos presos e mais de 28% dos mortos. E ela, coitada, sem entender nada porque, afinal, a índole do povo maranhense é mesmo pacífica…
Roseana está surpresa? Numa rebelião em Pedrinhas, em 2011, ao menos 14 presos foram decapitados. Só não houve comoção e pressão, inclusive de organismos internacionais, porque imagens da tragédia não vieram a público.
Endossando um discurso engrolado também por José Eduardo Cardozo, a governadora afirmou: “É uma disputa praticamente por causa do crack, que tem uma força muito grande, uma disputa de espaço. O que aconteceu em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul não é diferente do que está acontecendo aqui.”
Com a devida vênia, governadora, sou obrigado a dizer: “Uma ova!”. Com 41 milhões de habitantes, São Paulo mantém presas 195.695 pessoas — 36% do total nacional, embora abrigue apenas 22% da população. O Maranhão, onde moram 3,5% dos brasileiros, tem menos de 1% dos presos, mas responde por mais de 28% dos assassinatos nas prisões. Há, em São Paulo, 633,1 presos por 100 mil habitantes com mais de 18 anos; no Maranhão, apenas 128,5. Para que a proporção fosse a mesma, seria preciso multiplicar por 5 os presos no estado governado por Roseana. Se, com pouco mais de 5.400 presos, assistimos a esse descalabro, imaginem com 27 mil…
Ah, sim: Roseana e Cardozo anunciaram a criação de um comitê gestor de crises juntando várias autoridades, remoção de detentos para presídios federais, aumento do efetivo da Força Nacional de Segurança, aumento dos mutirões carcerários… De fato, nada no curto prazo.
Intervenção
A Procuradoria-Geral da República anunciou que vai pedir a intervenção federal no Maranhão. Ainda que peça, não terá. O STF é arredio a esse tipo de procedimento — e, se querem saber, seria realmente algo muito difícil de administrar. É bem verdade que, ao ler as intervenções de Roseana, sou tomado, assim, de um espírito verdadeiramente… interventor. Mas sei que não ocorrerá.
Ficou brava
A governadora ficou brava com uma pergunta, bastante procedente, que a reportagem da Folha fez a Cardozo. A jornalista quis saber se o silêncio da presidente Dilma estava relacionado com a aliança política do PT e do Planalto com o PMDB e a família Sarney. Roseana nem esperou a resposta do ministro:
“Olha, a família, só um minuto, ministro. Quero dizer uma coisa a vocês: isso não existe como família. Eu sou a governadora, eu sou Roseana Sarney. Meu sobrenome é Sarney. Mas eu sou uma pessoa que tenho passado, presente e, se Deus quiser, terei futuro. Isso não é a família. E quem está mandando aqui não é a família. Quem está no governo sou eu, que fui eleita em primeiro turno pelo povo maranhense. Assim como representei o Maranhão no Congresso Nacional. Fui deputada e senadora. Então, vocês querem o quê? Querem penalizar a família? Não. Se vocês tiverem de penalizar alguém, eu, Roseana, governadora do Maranhão, sou a responsável pelo que acontecer no nosso Estado. Muito obrigada”.
Foi aplaudida entusiasticamente. Pelos assessores…
Faço o quê? Tenho de voltar a Padre Vieira:
“E terra onde até o sol mente, vede que verdade falarão aqueles sobre cujas cabeças e corações ele influi.”

Por Reinaldo Azevedo

FONTE: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-incrivel-a-estonteante-a-espantosa-entrevista-concedida-por-roseana-sarney-ao-lado-de-cardozo-o-silencioso-ou-segundo-governadora-o-maranhao-esta-mais-violento-porque-esta-mais-rico/