terça-feira, 22 de julho de 2014

Candidatos ao GDF têm discursos específicos, mas todos atacam adversários


Para especialistas, o pragmatismo de alianças fala mais alto

Depois de duas semanas de campanha, a estratégia de cada um dos candidatos ao Governo do Distrito Federal está devidamente definida e vem sendo mostrada nas ruas, comícios e entrevistas. O destino desejado é apenas um, o Palácio do Buriti. Mas os caminhos e as palavras utilizados para tentar atingir o objetivo são diferenciados. Há, entre os seis concorrentes, discursos de continuidade, volta ao poder, terceira via e ruptura total com o modelo político e a prática atuais. Segundo especialistas ouvidos pelo Correio, algumas vezes as bases ideológicas podem ser relegadas em prol das coligações.

O governador Agnelo Queiroz (PT) tenta a reeleição e está à frente da maior união de siglas, com um total de 16 aliadas. Ele usa a estratégia de destacar as realizações do governo desde 2011. Sabedora dos pontos mais vulneráveis da gestão, a coordenação de campanha direciona a fala do candidato e do grupo aos feitos nas áreas de saúde, segurança pública, educação e mobilidade urbana. De quebra, ele ainda alfineta o ex-governador e candidato José Roberto Arruda (PR), garantindo que o atual governo realizou muito mais que o do adversário. O petista tenta reforçar a ideia de que passou boa parte da gestão arrumando a casa e diz que precisa de mais quatro anos à frente do GDF para investir em mais projetos. A parceria com Dilma Rousseff também tem sido muito lembrada.

Se Agnelo elegeu Arruda como seu principal alvo, a recíproca é verdadeira. O candidato do PR, que conta com outros quatro partidos na coligação, sabe que o adversário a ser derrotado é o atual governador. Voltando à disputa quatro anos depois de ter abandonado o Palácio do Buriti, em meio a uma crise sem precedentes, o ex-governador afirma que sofreu um golpe. Ainda assim, sustenta que, em pouco mais de três anos de administração, fez muito mais do que Agnelo. Ele diz querer voltar para dar continuidade ao projeto que sofreu ruptura em 2010.

Enquanto os candidatos do PT e PR se rivalizam, outros nomes procuram se aproveitar da polarização dos dois grupos. O primeiro que colou a imagem a uma suposta terceira via — ainda que se recuse a usar esse termo — foi o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), que deixou o grupo de Agnelo e correu para a oposição a fim de construir a própria candidatura. Ele tem atacado abertamente o ex-aliado, a quem chama de gestor incompetente, e Arruda, que define como ficha suja. Aliado ao PDT, o candidato enfrenta questionamentos sobre a aliança com partidos de base ideológica diferente do PSB, como o PSD e o Solidariedade. Por outro lado, a tentativa maior é capitalizar com a aliança entre Eduardo Campos, presidenciável do partido, e a ex-senadora Marina Silva, mais votada para presidente no DF em 2010.

Outro candidato que se esforça para surfar na onda da terceira via é o deputado federal Luiz Pitiman (PSDB). Eleito na coligação petista em 2010, ele escolheu Agnelo Queiroz como alvo preferencial na atual campanha. Faz críticas pesadas ao governo, que considera ineficiente em todas as áreas. Mas, ao contrário dos adversários, poupa Arruda. O posicionamento faz parte de uma possível futura aliança, caso a disputa vá para o segundo turno — visto que a aproximação entre o PSDB é mais clara com o grupo do ex-governador. Mais do que se apegar a qualquer aliado local, no material de divulgação, Pitiman cola a imagem à do presidenciável tucano, Aécio Neves.

Antônio Carlos de Andrade, o Toninho do PSol, por sua vez, tem usado a tática do contra tudo e contra todos. Terceiro colocado na eleições passadas ao governo (teve 14% dos votos), ataca os adversários, sem distinção. Critica o governo Agnelo, que considera ineficiente; o ex-governador Arruda, a quem define como ficha suja; Pitiman, tratando-o como mais uma candidatura de direita; e Rollemberg, ao qual quase se aliou e que afirma tê-lo decepcionado ao fazer acordo com o PSD. A sexta candidata, Perci Marrara (PCO), adere a um discurso de rompimento total com as estruturas atuais.

Análises

O cientista João Paulo Machado Peixoto, professor da Universidade de Brasília (UnB), tem acompanhado de perto a evolução da campanha no DF este ano. Ele explica que o discurso da terceira via pode até ser atraente, uma vez que a população pode ter aversão ao modelo atual e ao passado, mas os indícios não são fortes. “Se o povo acha que o atual governo não resolveu os problemas e que o anterior foi marcado por corrupção, então, é correta a análise dos outros candidatos em tentarem se vender como vias alternativas. Mas não é possível dizer se isso terá êxito”, afirma. O também cientista político David Verge Fleischer, titular na UnB, observa um quadro eleitoral em que a ideologia não tem mais tanta importância. “As alianças são feitas para se eleger. Por isso, há partidos tão diferentes aliados. O pragmatismo prevalece. O que pesa é o tempo de propaganda na televisão. Isso é uma pena, afinal, os acordos deveriam ser feitos em torno de programas para melhorar a vida da cidade”, disse.

Reportagem de Almiro Marcos, Kelly Almeida, Matheus Teixeira e Camila Costa.

fonte: Correioweb

O que eu fiz?: Lula diz em vídeo que jovens precisam parar de reclamar


O ex-presidente contou que, certa vez, fez um curso no sindicato em que a professora perguntava sobre os sonhos de cada um e o que estavam fazendo para concretizá-los.

Em mais um vídeo da série que vem sendo divulgada pelo Instituto Lula, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirma que a esperança é a "palavra-chave que move as pessoas" e deve estar especialmente presente nos jovens. "Às vezes digo para os meus filhos: posso perder a esperança porque tenho 68 anos e vou completar 69 em 27 de outubro. Meus sonhos e esperanças têm que ser menores do que o sonho e a esperança de um moleque de 16, 17 anos, que está em casa, que está no iPad falando mal de alguém", afirmou. "Além de sentar na frente da televisão, do computador e xingar todo mundo, dizer que ninguém presta, é preciso perguntar: o que eu fiz?"...

O ex-presidente contou que, certa vez, fez um curso no sindicato em que a professora perguntava sobre os sonhos de cada um e o que estavam fazendo para concretizá-los. "Muitas vezes ficávamos decepcionados porque a gente não tinha feito nada", disse. "Tem que levantar a cabeça e ter esperança. Tem que colocar a cabeça no travesseiro e perguntar: O que eu fiz de bom hoje?"

Lula disse que sua mãe também foi um exemplo desse tipo de atitude na vida. "Eu via a minha mãe, com oito filhos... Às vezes ela não tinha nem feijão para colocar no fogo e eu não via minha mãe reclamar. Ela sempre achava que amanhã ia ser melhor", lembrou. "Em vez de ficar reclamando daquilo que os outros fazem, daquilo que os outros têm, acho que temos que trabalhar para coisas concretas."

O ex-presidente disse que "temos tudo para fazer neste País" e lembrou a riqueza em biodiversidade e a qualidade do povo brasileiro, "ordeiro, alegre, resultado de uma mistura extraordinária".

Fonte: Estadao Conteudo
Fonte: Jornal de Brasília

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Peemedebistas citam programas federais e esquecem Dilma



Seis dos 18 candidatos do PMDB têm apoio formal do PT

A presidente Dilma Rousseff tem sido esquecida pelos candidatos a governador do PMDB, principal aliado na esfera nacional, como mostram as propostas de governo dos 18 candidatos do partido. Nos programas inscritos na Justiça Eleitoral, os peemedebistas citam pelo menos uma vez a necessidade de atuação em parceria com o governo federal nos próximos quatro anos, mas poucos mencionam Dilma ou sua gestão.


Seis dos 18 candidatos do PMDB têm apoio formal do PT, como o alagoano Renan Filho. Ele foi o único a citar Dilma nominalmente no plano. No programa, disse que a "principal plataforma política" do governo da presidente é eliminar definitivamente a miséria absoluta no País. 

"Para isso, o conjunto de iniciativas vai contar com mais R$ 100 bilhões em recursos públicos até 2014, por exemplo. Esse ambicioso objetivo não pode ser alcançado sem a colaboração direta dos entes subnacionais, principalmente os Estados e municípios", destacou. O governo é mencionado 20 vezes, nas 41 páginas do programa.

Paulo Skaf, candidato do PMDB em São Paulo, fez uma citação protocolar ao programa Minha Casa Minha Vida nas 25 páginas do documento. Skaf começou a campanha sem colar sua imagem à da presidente, apesar de Dilma ter dito que conta com dois palanques no Estado - o dele e o do petista Alexandre Padilha.

O programa do governador de Sergipe e candidato à reeleição Jackson Barreto faz sete citações elogiosas aos programas federais, em 68 páginas. Coligado com o PT, ele assumiu o posto após a morte do petista Marcelo Déda, em dezembro. 

Parceria

Mesmo sem apoio do PT do Rio, que lançou Lindbergh Farias, o governador e candidato à reeleição Luiz Fernando Pezão foi o que mais exaltou a parceria federal: "Por meio de uma parceria estruturada com o Governo Federal, a nossa atual gestão vem implantando o maior projeto social da história do Rio de Janeiro: o PAC das Comunidades". 

Crítico do governo no Senado, o paranaense Roberto Requião faz 17 referências à gestão federal em 158 páginas. Ao todo, faz oito citações a programas de abrangência nacional. Ao tratar do Luz Para Todos, o peemedebista cita o antecessor de Dilma, mas não a atual governante. 

"O programa visa a atender famílias que pratiquem agricultura de subsistência, integrem projetos de assentamento, habitem comunidades indígenas ou estejam localizadas em municípios de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Roberto Requião fizeram, em 22/06/2009, a ligação do consumidor de número 2 milhões do programa, em Congonhinhas."

Embora tenha declarado que vai dar palanque a Dilma, o candidato do PMDB no Ceará, Eunício Oliveira, elogia no programa a primeira gestão estadual do tucano Tasso Jereissati, que disputará o Senado pela chapa.

FONTE: http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2014/07/21/interna_politica,550203/peemedebistas-citam-programas-federais-e-esquecem-dilma.shtml