sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Cães para a liberdade


Grupo vai aos EUA buscar novos

 cães-guia; Brasil patina 

na oferta de alternativas 

para inclusão de cegos




Encontro



Quatro cães-guia adolescentes chegam a SP para aposentar idosos

Confira as versões dos vídeos com audiodescrição aqui
JAIRO MARQUES
DE SÃO PAULO
Há pouco mais de dois meses, quatro peludos norte-americanos da raça labrador, sendo três deles irmãos, desembarcaram no Brasil com nobres missões: guiar com segurança os passos de quatro pessoas com deficiência visual e substituir os velhos parceiros do quarteto, já idosos, com idade de se aposentar.
Por mais que se discuta a importância do cão-guia no Brasil, a realidade ainda é de dependência de iniciativas estrangeiras para o oferecimento desse que é um instrumento fundamental de inclusão e mais autonomia para os cegos.
Dos estimados extraoficialmente pouco mais de 150 cães-guias abrindo caminhos pelas ruas e calçadas nacionais, 80% deles vêm de parcerias de instituições brasileiras com tradicionais escolas de treinamento dos EUA e da Europa, o que implica gastos de cerca de R$ 35 mil com a logística de fazer o bicho chegar até aqui.
"Não se paga pelo cão em si. O custo que temos é do deslocamento até os EUA, a acomodação por lá e de despesas básicas. Temos também que arcar, quando necessário, gastos em veterinários e treinamentos de aperfeiçoamento", diz Thays Martinez, presidente do Instituto Íris, que também é cega e usuária de cão-guia.
A fila por um "cão importado" no instituto, o mais tradicional do país de apoio aos cegos, chega a 3.000 pessoas, com espera de até três anos para atendimento. Comparado ao universo de pessoas com cegueira total no país –600 mil–, parece até pouco.
Os quatro mais recentes cães gringos que estão circulando por São Paulo são Wayne, Valen, Rudy –todos irmãos– e Indy. Eles vieram da escola Leader Dogs for the Blind, de Michigan (EUA), após passarem por uma série de testes e treinamentos que inclui uma temporada com uma "família socializadora", que apresenta aos bichos as mais diversas situações cotidianas, como ir ao cinema ou a uma festa.
Os contemplados com os fiéis parceiros para conduzi-los ao trabalho e na vida social são o casal Genival Santos, 37, advogado, e Kátia Antunes, 33, analista, tutores de Wayne e Valen, respectivamente; o advogado Marcelo Panico, 47, que comanda Rudy, e a funcionária pública Liana Conrado, 62, tutora de Indy.
O grupo brasileiro ficou nos EUA por 21 dias, tempo menor que os tradicionais 30 dias de treinamento, uma vez que todas as pessoas já tinham experiências de comandar o cachorro que "abre alas".
PRIMEIRO ENCONTRO
"Tenho a impressão de que quando o cão é apresentado para a gente, ele sabe que seremos seus tutores e é conosco que ele terá uma missão. Eles ficam tremendamente eufóricos. É uma sensação que não sei descrever", diz Genival.
O primeiro encontro entre os cegos e os cães-guia só ocorre depois de quatro ou cinco dias de treinamentos técnicos, palestras, dicas de segurança e de como tratar o animal. Depois de apresentados, eles não se largam mais e passam a dormir no mesmo alojamento.
Antes de virem cumprir suas missões no Brasil, os cães tiveram um último encontro com as famílias que os criaram por cerca de um ano. Depois de aposentados, caso o usuário não queira ou não possa mantê-lo, os bichos podem voltar a essas famílias, se elas desejarem.
Instituto Iris/Divulgação
O advogado Marcelo Panico, 47, com um dos filhotes que será treinado para ser cão-guia, no centro de treinamento em Michigan
O advogado Marcelo Panico, 47, com um dos filhotes que será treinado para ser cão-guia, no centro de treinamento em Michigan
"O Valen foi criado em uma área rural. Já é a sétima a vez que a família que tratou dele, que morava a 16 horas de carro de onde estávamos, faz esse tipo de ação. Ficaram bem emocionados na despedida, mas entendem perfeitamente que o cão foi criado para a finalidade de auxiliar outra pessoa", declara Kátia.
O advogado Marcelo Panico diz que encontrar Rudy pela primeira vez foi uma sensação "muito gostosa". "Embora eu já tivesse vivido com o Harley [seu antigo cão, agora aposentado] esse momento, a reação é sempre inédita, porque cada cão é um cão. Eu o recebi com o máximo de carinho e de respeito, e ele foi maravilhoso comigo".
De acordo com o treinador de cães Moisés Vieira Jr., 52, um dos mais experientes em atuação no Brasil, o primeiro encontro entre o tutor e seu futuro guia tem uma importância estratégica e não apenas simbólica.
"Todo o momento é criado para que o cão mantenha-se focado na pessoa que irá guiar dali para a frente. É uma situação controlada, num ambiente controlado. O momento é especial e não deve haver interferência de ninguém. Só quem se dirige ao cão é o usuário. Uma grande conexão entre os dois começa a partir dali", diz Moisés, que trabalha na área há 20 anos.
O VOO
Nenhum sobressalto aconteceu nas dez horas e meia de voo com os quatro cães na volta do grupo ao Brasil. Os bichos ficaram deitados aos pés de seus tutores e, não fossem tão fofos, não chamariam a atenção de ninguém.
Instituto Iris/Divulgação
Genivaldo e Kátia treinam com Wayne e Valen, seus novos cães-guia, como será voar de avião com eles
Genivaldo e Kátia treinam com Wayne e Valen, seus novos cães-guia, como será voar de avião com eles
Antes do embarque, o cão passa por uma mudança de rotina que implica comer menos do que está acostumado e ter acesso ao "banheiro" por mais vezes. Eles são preparados, assim, para ficar por um longo período sem precisar fazer suas necessidades.
Em alguns aeroportos do mundo, como o de Guarulhos (SP), por exemplo, logo na rampa de desembarque há uma espécie de "banheiro canino" para que os peludos se aliviem assim que saem das aeronaves.
Porém, diferentemente dos lugares de alívio canino em aeroportos dos EUA, no Brasil não há um amplo espaço, com grama artificial, para dar mais conforto aos cães. Também não há pia, papel, toalha e sabonete para que os tutores façam a higiene das mãos.




Novidades



Novatos estranham pombas, lixo na rua e carinhos fora de hora




Cão-guia toma banho na ONG Leader Dogs for the Blind, em Michigan (EUA)Instituto Íris/Divulgação
DE SÃO PAULO
Desde que chegaram à cidade, Wayne, Valen, Rudy e Indy passaram por uma série de desafios inéditos em suas carreiras de cães trabalhadores.
Além dos novos ares, estão tendo de lidar com calçadas esburacadas, lixo na rua, motoristas que não respeitam a faixa de pedestre e abordagens repentinas de transeuntes que querem fazer um carinho.
"O Wayne não estava acostumado a se deparar com cães soltos na rua nem com a quantidade de pombas em algumas regiões da cidade. Então, como ele é molecão, nos primeiros dias ele latia, se incomodava. Agora já está ficando acostumado", diz Genival Santos.
Outra novidade na vida guiada de Genival foi se ambientar às rotinas de Wayne, que são diferentes da antiga cadela Leila, aposentada, que o auxiliou por dez anos.
Instituto Íris/Divulgação
Kátia e Genivaldo passeiam por rua em Michigan (EUA) com seus cães-guia
Kátia e Genivaldo passeiam por rua em Michigan (EUA) com seus cães-guia
"Para o time ficar bem alinhado, vai levar de seis meses a um ano. Ainda estou entendendo os sinais dele sobre a hora que precisa fazer as necessidades, por exemplo. O que é fundamental é não ter medo, confiar no cão que ele irá fazer o trabalho dele", afirma.
Indy, o labrador de um ano e meio da funcionária pública e cantora lírica Liana Conrado, também reservou surpresas à tutora nos primeiros dias de adaptação.
O cachorro andava rápido demais pelas ruas e gostava de brincar com objetos pessoais, como roupas e meias.
Ao contrário do aposentado Sirius, 11, ex-guia de Liana, já muito condicionado à realidade brasileira, Indy ainda estranha quando, repentinamente, recebe um carinho inadequado enquanto está trabalhando –não se deve mexer em um cão-guia em serviço.
Instituto Íris/Divulgação
Liana e Marcelo com os cães-guia no metrô a caminho do aeroporto, na volta dos EUA
Liana e Marcelo com os cães-guia no metrô a caminho do aeroporto, na volta dos EUA
"Estava atravessando uma rua com o Indy e uma pessoa em um carro começou a chamar a atenção dele, nos colocando em perigo. Ele ainda está sujeito a distrações, então procuro ser rígida e protegê-lo, digo que não pode tocar e pronto. Ainda falta senso de comunidade", conta.
Outro fator que tem dividido a atenção de guiar do bicho norte-americano em bandas brasileiras é a realidade urbana, com postes, desníveis e buracos na calçada, e lixo espalhado pela rua.
"Leva um tempinho para ele deixar de dar atenção a esses fatores de distração. São muitos odores querendo roubar a concentração dele, mas ele é um menino, logo estará perfeito."
Em alguns casos, os cães precisam de um reforço no treinamento recebido nos EUA para se adequar ao Brasil. A intervenção costuma ser rápida e dar bons resultados.
LIVRE ACESSO
Todo cão-guia certificado tem o direito de livre acesso aos transportes públicos e lugares de interesse coletivo, como shoppings, restaurantes, escolas, lojas de departamentos etc. Proibir os animais de entrar acompanhando seus tutores pode constituir discriminação e é passível de multa.
As leis que protegem os bichos começaram a ser formuladas na cidade de São Paulo em 2004, depois que a advogada Thays Martinez, cega desde os quatro anos e também presidente do Instituto Íris, foi impedida de entrar com seu então cão-guia Boris no metrô de São Paulo.
De lá para cá, outros municípios do país também criaram legislação de proteção às duplas e, desde 2005, uma lei federal também está em vigor. Mais recentemente, em 2015, a Lei Brasileira de Inclusão reforça que o cão-guia é um instrumento de acessibilidade e tem direito de livre acesso.
"Foi apenas com o comprometimento da imprensa que a lei pegou. Ainda temos de evoluir na consciência social para que todos entendam que o cão não é um brinquedo e melhorar a questão do livre embarque dos cães em táxis, pois ainda há queixas disso, mas é inegável que melhorou", diz Thays.
Os animais são treinados para serem discretos em ambientes coletivos. Não aceitam comida enquanto estão com seus equipamentos de trabalho, os arreios, e são extremamente dóceis.
Os tutores são orientados a escovarem os bichos de duas a três vezes por dia para que não soltem pelos e a rotina de banhos e cuidados de higiene com os animais é frequente.




Herói mirim



Sozinho, garoto de 11 anos arrecadou R$ 21 mil para trazer novos cachorros

DE SÃO PAULO
Para que a viagem do grupo de brasileiros atrás de seus novos cães-guia aos EUA fosse possível, um garoto de 11 anos foi peça fundamental. Tão fundamental que ele foi convidado para ir com o grupo a Michigan ver todo o processo de preparação dos animais para a vinda ao Brasil.
A partir de um trabalho escolar, o garoto João Nicastro Silveira passou a entender a importância dos bichos para as pessoas cegas e a colaborar ativamente para a arrecadação de fundos para que mais pessoas tivessem acesso aos animais.
Sozinho, distribuindo caixinhas de arrecadação e buscando doações nas ruas perto de sua casa, ele levantou R$ 17 mil para a causa, além de R$ 4.000 que conseguiu na escola. Foi convidado para ser presidente mirim do Instituto Íris e aceitou. Hoje, comanda um grupo de pequenos voluntários.
Instituto Iris/Divulgação
João Nicastro Silveira, 11, com um filhote de cão-guia; o menino levantou R$ 17 mil sozinho para a viagem
João Nicastro Silveira, 11, com um filhote de cão-guia; o menino levantou R$ 17 mil sozinho para a viagem
"Não conhecia quase nada sobre a vida das pessoas cegas. Quando comecei a ajudar na causa do cão-guia, fui me sentindo muito bem. Não estava dando um brinquedo caro para uma criança, estava ajudando diretamente a melhorar a vida de alguém. Ajudar alguém me fez melhor", diz João.
O espírito solidário do menino contagiou toda sua família, que considera estar "totalmente envolvida" atualmente na busca por caminhos que viabilizem mais cães trabalhadores para brasileiros.
De acordo com a comerciante Alessandra Nicastro, 44, mãe do garoto, "é muita felicidade ver um filho na idade do João envolvido em uma causa social. Nossa identificação com o trabalho do cão-guia é de coração, de alma."
João, que fala inglês fluentemente pois estuda em uma escola internacional, diz que a experiência que viveu nos EUA, na escola de treinamento de cães-guia, "multiplicou muito" sua vontade de fazer ainda mais ações sociais.
Instituto Iris/Divulgação
Grupo que viajou pelo Instituto Íris para os EUA para buscar novos cães-guia
Grupo que viajou pelo Instituto Íris para os EUA para buscar novos cães-guia
"Fizeram um tour comigo em toda a escola. Pude aprender mais sobre cada passo da formação de um cão, desde filhote. Foi como se eu estivesse num sonho", afirma João.
O grupo de pequenos voluntários está sendo acompanhado por uma pedagoga e os membros não têm nenhuma obrigação de rotina com a instituição. O objetivo maior, segundo o Íris, é a formação de cidadãos mais conscientes sobre diversidade.
"Minha meta agora é ajudar a termos o máximo possível de cães-guias no Brasil. Quero mostrar para o brasileiro, para as crianças, o que esse cachorro pode fazer na vida das pessoas e o que ele representa. Também quero defender os direitos das pessoas cegas", afirma o presidente mirim.
À ESPERA
A estudante de direito Marcela Giacomin Pandolfi, 18, está há um ano na fila por um cão-guia. Moradora da zona rural do município de Aracruz (ES), ela tem certeza de que o bicho poderá transformar diversos aspectos de sua vida.
Cega desde os seis anos devido a um câncer, Marcela, que é usuária de bengala, diz que ainda precisa de auxílio algumas vezes, sobretudo para ir à faculdade.
"O cão-guia me daria a independência de ir e voltar de onde eu quiser, na hora que eu quiser. Só isso já daria uma qualidade de vida incrível, mas ele também proporciona mais segurança ao caminhar na rua", afirma.
Como o animal é treinado para desviar-se de obstáculos, a pessoa com deficiência visual pode também levar menos tempo durante um trajeto.
Instituto Íris/Divulgação
Futuro cão-guia; cães são treinados desde pequenos e socializados por famílias voluntárias
Futuro cão-guia; cães são treinados desde pequenos e socializados por famílias voluntárias
Marcela sempre teve labradores em casa, nenhum treinado, e acha que sua relação com um futuro cão-guia será muito "tranquila".
"O cão traz uma socialização maior à pessoa com deficiência visual, naturalmente. Ele chama a atenção e muita gente se aproxima, o que me ajuda a fazer mais amigos, estar mais integrada à minha faculdade."
Ainda não há um prazo para que Marcela seja contemplada com um cão por meio do programa do Instituto Íris. Por enquanto, ela vai se esmerando na faculdade de direito e aprendendo mais sobre seus próprios direitos.
"São poucas as opções de cursos universitários que atendam pessoas com deficiência visual. Optei pelo direito, mas é preciso muita determinação, brigar muito para ter acesso aos livros que preciso. Tenho de me virar. Quando meu cão chegar, vamos batalhar juntos."




Inclusão



Iniciativas nacionais ainda penam para conseguir incentivo e sucesso

DE SÃO PAULO
Ao longo das últimas duas décadas, pelo menos cinco iniciativas nacionais tentaram treinar cães-guia e introduzir no país métodos de criação e desenvolvimento dos animais.
Todas elas esbarram em problemas comuns: falta de ninhadas em condições de se desenvolverem como cães trabalhadores –na Europa e nos EUA, já são décadas de gerações guiando pessoas–; falta de incentivo financeiro para manter a logística dos animais; poucos treinadores especializados e até quebra de compromisso das famílias socializadoras que ou não devolviam o cão, ou não cumpriam o protocolo de criação dos bichos.
O Sesi de São Paulo foi uma das últimas grandes entidades que tentou dar uma resposta social à falta de cães-guia no país. Depois de conseguir entregar apenas nove cachorros, o programa de treinamento foi desativado.
Um dos mais longevos programas de treinamento nacionais é o de Brasília (DF), que tem 16 anos e conta com membros do Corpo de Bombeiros. O Projeto Cão-Guia, que capacita labradores, está permanentemente em busca de recursos para sua manutenção.
Instituto Íris/Divulgação
Cães de pelúcia da ONG americana Leader Dogs for the Blind, de Rochester, Michigan (EUA)
Cães de pelúcia da ONG americana Leader Dogs for the Blind, de Rochester, Michigan (EUA)
Em Sorocaba (SP), o Instituto Magnus entregou, há pouco mais de um mês, cinco cães filhotes para serem socializados em famílias do município.
Mas é em Balneário Camboriú (SC), que uma nova ação para multiplicar os cães-guias no país mais ganhou fôlego nos últimos anos. Em 2016, inaugurou uma sede própria para a escola Helen Keller, mantida com doações e apoio técnico de entidades internacionais.
"Em 2021, se tudo der certo, queremos ter a rotina de passar a entregar até 30 cães por ano às pessoas com deficiência visual. É muito trabalho, os custos são altos, mas vamos conseguir", declara Ênio Gomes, diretor da unidade.
Um funcionário da escola foi mandado para a Austrália, onde ficou por dois anos, para aprender técnicas de capacitação dos cães. Para contornar o problema da falta de qualificação das ninhadas nacionais, matrizes vieram da Nova Zelândia para gerar filhotes.
Angelo Borba
Cães da primeira ninhada da escola de cães-guia Helen Keller, em Balneário Camboriú (SC)
Cães da primeira ninhada da escola de cães-guia Helen Keller, em Balneário Camboriú (SC)
"Há seis anos fazemos reprodução dos cães aqui em Santa Catarina, principalmente de labrador, o mais adaptado à nossa região. Em 2018, teremos já uma boa população e será mais fácil trabalhar", diz o diretor.
O programa federal pela inclusão chamado Viver sem Limites, criado ainda no governo de Dilma Rousseff (PT), em 2009, tinha como meta a criação de 14 unidades de treinamento para cães-guia e dar cursos capacitantes para treinadores em todo o país. Até agora, porém, apenas a parte da meta foi cumprida. Quatro centros estão prontos: Camboriú (SC), Muzambinho (MG), Alegre (ES) e Urutaí (GO), mas nenhum está em pleno funcionamento ainda.
Folha entrou em contato com a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos para saber sobre os destinos do programa, mas não houve resposta.
O treinador Moisés Vieira Jr., 52, que tem 20 anos de experiência e estudou na Nova Zelândia, acredita que o país ainda terá sucesso em suas iniciativas. "Há profissionais sérios no Brasil. Pessoas que conhecem como fazer. O que não dá é sempre começar do zero ou ficar na dependência de licitações governamentais para comprar um material básico de um cachorro."
RAÇAS
Em todo o mundo, a raça labrador é a mais comum a ser trabalhada como cão-guia. A personalidade dócil desse grupo e sua fácil adaptação a diferentes tipos de pessoas são os principais motivos apontados pelos especialistas para a predileção.
No Brasil, a introdução do labrador foi "deliberada". "Para ganhar a simpatia do brasileiro à causa, tínhamos de trazer os labradores, que guardam com eles uma simpatia natural, uma aceitação incrível", declara Thays Martinez, presidente do Instituto Íris, que dá apoio aos cegos. Atualmente, Thays é conduzida por Diesel, um labrador preto.
Outra raça comum para exercer o trabalho de guia é a golden retriever. Menos comuns no país, há ainda cães-guia das raças pastor alemão e poodle gigante, além de cachorros gerados por misturas de raças.
Cães com porte pequeno não servem como guias porque é preciso ter uma boa estrutura corpórea para vestir os arreios e porque os cachorros pequenos teriam mais dificuldade de interação com os usuários.
Fonte:http://temas.folha.uol.com.br/caes-para-a-liberdade/encontro/quatro-caes-guia-adolescentes-chegam-a-sp-para-aposentar-idosos.shtml