Em entrevista ao jornal 'The Washington Post', ex-analista da NSA festeja ter provocado debate público sobre programa de espionagem dos EUA: 'Já venci'

Manifestantes seguram foto de Edward Snowden, que revelou informações sobre os programas secretos de vigilância dos EUA e da Grã-Bretanha, durante um protesto a favor do americano em Hong Kong (Bobby Yip/Reuters)
O ex-analista da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, em inglês), Edward Snowden, que há seis meses delatou o programa de espionagem global dos Estados Unidos, afirmou que sua "missão está cumprida" após o vazamento de milhares de documentos secretos da inteligência americana.
"Para mim, em termos de satisfação pessoal, a missão já está cumprida. Já venci", declarou Snowden em entrevista publicada na edição desta terça-feira do jornal The Washington Post. Foi a primeira vez que o técnico de inteligência aceitou conversar pessoalmente com um jornalista em Moscou desde que recebeu, em agosto passado, asilo temporário de um ano da Rússia.
Referindo-se ao "debate" que as revelações provocaram, Snowden procurou analisar seu papel no caso. "Assim que os jornalistas puderam começar a trabalhar, tudo o que tinha estado tentando fazer foi validado. Porque, lembrem, eu não queria mudar a sociedade. Queria dar à sociedade a oportunidade de determinar se deveria mudar a si mesmo", acrescentou o hacker de 30 anos.
Na entrevista, Snowden insistiu que seu objetivo "era que a opinião pública pudesse dar sua opinião sobre como ser governados". Além disso, ele rejeitou as acusações dos Estados Unidos, onde parlamentares o qualificaram de "traidor" e o acusaram de entregar documentos secretos a países como a Rússia e China.
"Não há nenhuma evidência da acusação que tenho lealdade à Rússia ou à China ou a qualquer outro país em vez dos Estados Unidos. Não tenho relação com o governo russo. Não alcancei nenhum acordo com eles", assegurou.
Desacreditado – Snowden ainda explicou como apresentou, em pelo menos duas ocasiões, suas dúvidas sobre a as técnicas da inteligância americana a seus superiores. As revelações sobre a magnitude dos programas de espionagem e sobre a falta de controle sobre os mesmo foram desacreditadas.
"Acho que o custo de um debate público franco sobre os poderes de nosso governo é menor que o suposto perigo por permitir que estes poderes continuem crescendo em segredo", declarou.
Diplomacia – As revelações de espionagem em massa, inicialmente vazadas pelo ex-técnico da NSA aos jornais The Washington Post e The Guardian, provocaram um escândalo diplomático envolvendo os EUA e alguns de seus maiores aliados. Em meio às milhões de comunicações vigiadas, estavam as de líderes políticos como a chanceler alemã Angela Merkel e a presidente Dilma Rousseff.
Semana passada, uma resolução contra espionagem, fruto de proposta introduzida por Brasil e Alemanha, foi aprovada pela Assembleia Geral da ONU, com voto de 193 países – inclusive os EUA. As proposições do texto, apesar de não serem obrigatórias como as resoluções aprovadas pelo Conselho de Segurança, carregam um peso político e moral.
A administração Barack Obama vem recebendo pressões de todos os lados para realizar mudanças em seus programas de espionagem. Também na semana passada, a Casa Branca divulgou um relatório elaborado por conselheiros com propostas que, se adotadas, podem limitar a atuação da NSA.
(Com agência EFE)
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