quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

UMA ANÁLISE DESAPAIXONADA DA UNIFICAÇÃO DAS POLÍCIAS E DA PEC 51 – PARTE 1



Caro leitor, este artigo é na verdade, uma análise fria, crítica e até irreverente daquilo que está sendo propalado aos quatro cantos do Brasil, chamado de “Unificação das Polícias”. Irreverente, mas com muita seriedade!! Trouxe o termo “desapaixonado” no título, não pelo fato de ser ou não a favor da unificação das polícias, muito pelo contrário, sou terminantemente contra a maneira em que as Propostas de Emenda a Constituição têm sido forjadas, bem como, contra os seus autores, e mais ainda, contra a ausência sistemática da participação dos principais atores, neste grande picadeiro, que são aqueles que fazem Segurança Pública, ou seja, os bombeiros e policiais militares e policias civis das esferas federal, estadual e do Distrito Federal.

Deixo claro que sou a favor da mudança do atual modelo de Segurança Pública, mas estas mudanças deverão ser discutidas, elaboradas e operadas, principalmente, por aqueles que fazem a Segurança Pública!!!

Como este veículo se chama “Galo de Briga”, a ideia é “bater”, mas bater bem forte nas falácias, nas meias-verdades e nas incongruências das atuais propostas de mudança. Repito: queremos mudanças, sim! Queremos que a população brasileira tenha a melhor segurança do mundo! E mais ainda, queremos que o Agente de Segurança Pública, militar ou civil, seja realmente valorizado e tenha a melhor condição de trabalho e qualidade de vida.

Bem, pontuada as considerações acima, informo por qual razão fui motivado a redigir o presente artigo. Ontem, dia 04 de dezembro de 2013, fui à primeira vez numa manifestação de bombeiros e policiais militares do DF, realizada em Brasília, Capital Federal. Faço um parêntese: sou a favor da livre manifestação dos bombeiros e policiais, desde que haja o respeito às nossas leis, o que tem ocorrido neste movimento.

Neste dia 04, acordei cedo, parecia um menino no seu primeiro dia de aula. Estava feliz em participar com os nossos companheiros de farda. Estava me sentindo solidário à causa, que era a demonstração de nossa insatisfação, pela pouca valorização ao segmento que fazemos parte. Arrumei-me e fui direto à Rodoviária de Brasília. Ao chegar ao local, vi algumas pessoas, um trio-elétrico e diversos ambulantes. Alguns representantes de entidades representativas acima, no caminhão de som, trazendo algumas palavras de ordem. Aos poucos a Praça da Biblioteca Nacional e do Museu da República foi sendo ocupada, pessoas vindas de todos os lados. Achei tudo muito bonito. O dia estava ensolarado, com o belo céu azul de Brasília. Tudo estava perfeito, até um determinado momento.

Foi aí, que na minha percepção, o céu azul ficou nublado em poucos segundos. Alguns representantes do movimento, presidentes de clubes e associações dos Bombeiros e dos Policiais, bem como, alguns representantes de sindicato de Agentes da Policia Civil e Federal, começaram a exaltar a PEC 51.

Palavras de ordem dizendo: “Queremos a PEC 51!”, eram proclamadas por aqueles que estavam no caminhão de som. Bem, da alegria que estava sentindo, tive um sentimento de tristeza e até mesmo, estava me sentindo como “massa de manobra” do Governo Federal e do Senador do PT pelo Estado do Rio de Janeiro, Lindbergh Farias.

Porque senti tal mal estar? Explico:

É de conhecimento de todos que o Senador do PT Lindbergh Farias, autor da PEC 51, era o famoso líder “Cara Pintada”, do movimento do impeachment do Ex-Presidente Fernando Collor de Mello. Foi presidente da UNE, acostumado a realizar diversas manifestações nas ruas. E não é preciso lembrar que, quando há manifestações nas ruas, a Polícia Militar é acionada para operar a manutenção da ordem pública. Certamente que o então “manifestante profissional”, Lindbergh Farias, deve ter levado muita “borrachada nas costelas”, pois este era o seu ofício: chamar as pessoas às ruas, subir em trio-elétrico, falar palavras de ordem, criticar o governo vigente, incitar os manifestantes contra a PM, etc. Mas hoje, este senhor tornou-se Senador da República e ainda é pré-candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro!

Curiosa e coincidentemente, no Estado do Rio de Janeiro, mas precisamente na Capital, nos últimos meses têm ocorrido sucessivas manifestações, numa onda descontrolada de protestos contra o Governo Estadual, com depredações dos bens públicos e privados e arrastões criminosos, com saques a pessoas e a estabelecimentos comerciais. O interessante é que estes manifestantes, muitos deles ligados aos movimentos estudantis atuais e outros setores, têm defendido a tese de que a “PM tem que ser desmilitarizada”. Por esta razão, o Senador do PT Lindbergh Farias, atendendo as “vozes das ruas”, contratou o Senhor Luiz Eduardo Soares, que é formado em Literatura, escritor de livros e Antropólogo (“Antro” o quê? Antropólogo é um homem que estuda o próprio homem e a humanidade).

Este “Ilustre” professor, escritor e antropólogo, teve a oportunidade nos governos PTistas de exercer cargos relacionados com a Segurança Pública. Não ficou nem um ano na função de Secretário Nacional de Segurança Pública, em 2003. Foi coordenador de segurança, justiça e cidadania do Estado do RJ (1999/março 2000). Ficou apenas de março a dezembro de 2001, como consultor responsável pela formulação de uma política municipal de segurança no governo municipal de Porto Alegre. A função em que exerceu por mais tempo foi o cargo de Secretário Municipal de Valorização da Vida e Prevenção da Violência do Município de Nova Iguaçu, localizado na Baixada Fluminense, Estado do Rio de Janeiro, entre 2007 a 2009. Período este que Lindbergh Farias foi prefeito do referido Município.

Feito as apresentações, pergunto aos policiais civis e militares, bem como aos Bombeiros Militares: os Senhores acham que estes cidadãos são as pessoas mais indicadas a apresentar uma mudança estrutural radical do atual modelo de Segurança Pública a nível nacional, com muitas brechas legais que permitirão tiranizar o sistema policial atualmente implantado no País, através da interferência direta e permanente dos pseudos defensores dos direitos humanos, e colocar as corporações de bombeiros militares à deriva, sem “pai nem mãe”, como a proposta na PEC 51? Penso que não!!!

Por esta razão que defendemos as mudanças, mas que elas venham ser elaboradas por pessoas que fazem a Segurança Pública, nós bombeiros militares e policiais, civis e militares. Não admitimos que “militantes partidários”, “burocratas”, “militantes dos direitos humanos” e “antropólogos” da vida, ousem em meter o “bedelho” numa área que não conhecem, mas que é tão importante e vital para a sociedade, que é a Segurança Pública. Aceitamos a participação de todos no processo de mudança, mas não admitimos que sejam ditadas exclusivamente por essas pessoas e grupos partidários que nunca correram atrás de um bandido ou extinguiram um incêndio!!!

Não é pelo fato do Antropólogo citado ter exercido atividades ligadas à Segurança, diga-se de passagem – rapidamente – (que serviu mais como um laboratório para as “suas teses” e para colher dados para a confecção dos seus livros e artigos), que este senhor está apto a decidir os nossos destinos. Nós, da Segurança Pública, só das corporações ligadas à União e aos Estados da Federação e ao Distrito Federal, principalmente as militares, somos mais de 800 mil profissionais, um efetivo enorme e que dá medo aos políticos revanchistas de outrora.

Nós, das corporações de Segurança Pública, somos “forjados” não pelo empirismo ou pelo estudo de teorias humanas ou análise de dados estatísticos, mas sim, pela prática da doação de nossas vidas em prol de pessoas que não conhecemos, diariamente! Somos PHDs em antropologia, pois não estudamos apenas os seres humanos, mas nós os salvamos e os protegemos.

Não podemos ser tratados como tacanhos e desprovidos de conhecimento científico. As corporações de Segurança Pública de todo o País têm em seus quadros de pessoal especialistas, mestres e doutores nas mais diversas áreas do conhecimento humano, pessoas bem preparadas e capazes de apresentar soluções centradas, coerentes e contextualizadas com o dia-a-dia de quem faz Segurança. Não queremos ser laboratório de nenhum teórico! Não somos massa de manobra de nenhum “Cara Pintada”!

Para conhecimento, temos candidatos à recruta, tanto no CBMDF, como na PMDF, com mais de um curso superior! Recentemente conversei com um candidato da PMDF, doutorando em Biotecnologia. Não somos desprovidos de inteligência, não, senhores Lindbergh Farias e Luiz Eduardo Soares! Somos capazes de propor as mudanças necessárias para o aperfeiçoamento da Segurança Pública no Brasil! Estamos em processo de construção, para alcançarmos este objetivo!

Bem senhores Bombeiros e Policiais, eu convido a todos a se indignarem com este golpe envelopado na forma de um “canto de sereia” que é a PEC 51! Devemos exigir respeito com as nossas Instituições e que os legisladores, antes de propor qualquer proposta de mudança do atual sistema de Segurança Pública no País, que nos consulte! Queremos participar deste processo de mudança, que é necessária, mas precisa ser bem estudada e coordenada entre os órgãos de Segurança Pública que serão diretamente afetados com estas mudanças.

Com quase um milhão de profissionais em todo o Brasil, e principalmente, com a sociedade brasileira, não é possível que nós, profissionais de Segurança Pública, sejamos “invisíveis” aos legisladores e governantes do País! Digo, não será com falácias que iremos resolver os problemas da Segurança Pública no País! Queremos mudanças efetivas, mas a PEC 51 não nos serve! Vamos propor uma Minuta de PEC, elaborada por quem faz Segurança Pública, discutida no Fórum Nacional de Segurança Pública, a ser realizado em Brasília, em maio de 2014. Apresentaremos ao seu final a “Carta Brasília”, para que os legisladores saibam quais são as nossas aspirações. Convido a todos a participarem deste momento histórico de discussão, onde teremos a oportunidade de expressar o que queremos para nós, de forma democrática, como jamais foi visto na história dos Corpos de Bombeiros e das Polícias, Civis e Militares, de todo o Brasil!

Não mais pelo momento, este é o nosso desagravo à PEC 51 e seus autores. Nos próximos artigos analisaremos com maior detalhamento as incongruências deste projeto.

Tenente Rajão – Presidente da Executiva Nacional do partido em formação União Para a Defesa Nacional

 

Nos próximos artigos, esquartejaremos a PEC 51 - “PEC Cara Pintada” ou “PEC dos Direitos Humanos”!!!!!
 
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