Crimes violentos, como o latrocínio cometido contra um militar na 112 Sul, assustam a população, que adota hábitos para evitar ações de bandidos
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| Na banca de jornal da 107 Sul, o dono colocou três câmeras após movimentação maior de estranhos e usuários de drogas na quadra |
Dar uma volta ao redor de casa, observar bem se há algum estranho por perto e ficar atento ao descer do carro. Nada de falar ao celular dentro do veículo estacionado ou caminhar distraído por aí. Diante da insegurança na capital federal em razão dos pontos de tráfico de drogas e dos constantes assaltos e sequestros, a população muda os hábitos em uma tentativa de diminuir as chances de abordagem criminosa.
Os crimes contra o patrimônio estão entre as maiores preocupações no Plano Piloto. No último dia 3, o militar João Carlos Franco de Souza, 66 anos, foi vítima de um latrocínio (roubo com morte) na 112 Sul ao chegar ao estacionamento do Bloco J, onde morava. Os bandidos queriam levar o carro dele, um i30. Na quadra, os moradores ficaram amendrontados. “Quem não fica assustado com uma gratuidade dessas?”, questiona a arquiteta Patrícia Montenegro. “A legislação favorece os bandidos e deixa as pessoas vulneráveis. A polícia parada lá fora não me tranquiliza.” ...
Recém-chegada a Brasília, a dona de casa Andrea Passini, 42 anos, diz não se sentir segura na capital federal, apesar de ter morado em São Paulo e em Salvador. “Aqui, eu notei a falta de policiamento nas ruas. Em Salvador, pelo menos, a gente via policiais circulando a pé. Aqui, não tem isso”, compara. Diante da criminalidade, ela sai de casa sem nenhum tipo de adereço ou joias. “Infelizmente, a gente trabalha e conquista as coisas, mas não pode usufruir”, lamenta.
Apesar de muitos se preocuparem com os riscos, há ainda aqueles mais displicentes. Na 407/408 Sul, diversas pessoas saíam de um supermercado falando ao celular e mandando mensagem sem olhar para os lados. Houve quem demorasse mais do que o necessário no veículo. Foi o caso de uma mulher que, ao fazer as compras, ficou dentro do automóvel por alguns instantes com a porta aberta e a bolsa à mostra. Mais adiante, uma senhora com um carrinho de compras guarda tranquilamente as sacolas no banco traseiro. Não reparou que era fotografada pela reportagem.
Donos de bancas de jornal do Plano Piloto também investem em equipamentos de segurança. Na da 107 Sul, o proprietário instalou três câmeras. “A câmera filma muito bem. A qualidade é muito boa, e isso inibe um pouco”, acredita o operador de caixa Paulo Henrique dos Santos, 35 anos. O funcionário acrescenta que moradores evitam sair de casa quando observam a movimentação de pessoas estranhas ou usuários de droga. “Os clientes ligam e pedem para a gente entregar as coisas para eles porque têm medo. Os idosos são cismados porque se sentem mais vulneráveis”, conta.
A PM diz fazer rondas diuturnas e abordagens a suspeitos no DF. A Secretaria de Segurança Pública informou que, semanalmente, organiza reuniões com os moradores para identificar problemas. Segundo o secretário de Segurança Pública em exercício, Paulo Roberto Batista, essa participação é fundamental. “É um canal aberto diretamente com a secretaria, acredita.
Dicas
» Antes de parar em um estacionamento, organize os objetos que você vai precisar e saia do carro com rapidez.
» Oriente os empregados e os familiares a não darem notícias sobre você ou informações pessoais por telefone.
» Se for buscar os filhos no colégio, seja pontual.
» Não circule sozinho em ruas vazias ou escuras.
» Fique atento à aproximação de carros suspeitos.
» Não estacione o veículo em locais isolados e sem iluminação.
» Mude a rotina e o itinerário
caso se sinta seguido, mas avise a mais de uma pessoa conhecida.
» Se observar algum movimento suspeito ao redor do veículo,
ligue imediatamente
para a Polícia Militar (190).
Depoimento
“Saio do carro logo”
Os crimes contra o patrimônio estão entre as maiores preocupações no Plano Piloto. No último dia 3, o militar João Carlos Franco de Souza, 66 anos, foi vítima de um latrocínio (roubo com morte) na 112 Sul ao chegar ao estacionamento do Bloco J, onde morava. Os bandidos queriam levar o carro dele, um i30. Na quadra, os moradores ficaram amendrontados. “Quem não fica assustado com uma gratuidade dessas?”, questiona a arquiteta Patrícia Montenegro. “A legislação favorece os bandidos e deixa as pessoas vulneráveis. A polícia parada lá fora não me tranquiliza.” ...
Recém-chegada a Brasília, a dona de casa Andrea Passini, 42 anos, diz não se sentir segura na capital federal, apesar de ter morado em São Paulo e em Salvador. “Aqui, eu notei a falta de policiamento nas ruas. Em Salvador, pelo menos, a gente via policiais circulando a pé. Aqui, não tem isso”, compara. Diante da criminalidade, ela sai de casa sem nenhum tipo de adereço ou joias. “Infelizmente, a gente trabalha e conquista as coisas, mas não pode usufruir”, lamenta.
Apesar de muitos se preocuparem com os riscos, há ainda aqueles mais displicentes. Na 407/408 Sul, diversas pessoas saíam de um supermercado falando ao celular e mandando mensagem sem olhar para os lados. Houve quem demorasse mais do que o necessário no veículo. Foi o caso de uma mulher que, ao fazer as compras, ficou dentro do automóvel por alguns instantes com a porta aberta e a bolsa à mostra. Mais adiante, uma senhora com um carrinho de compras guarda tranquilamente as sacolas no banco traseiro. Não reparou que era fotografada pela reportagem.
Donos de bancas de jornal do Plano Piloto também investem em equipamentos de segurança. Na da 107 Sul, o proprietário instalou três câmeras. “A câmera filma muito bem. A qualidade é muito boa, e isso inibe um pouco”, acredita o operador de caixa Paulo Henrique dos Santos, 35 anos. O funcionário acrescenta que moradores evitam sair de casa quando observam a movimentação de pessoas estranhas ou usuários de droga. “Os clientes ligam e pedem para a gente entregar as coisas para eles porque têm medo. Os idosos são cismados porque se sentem mais vulneráveis”, conta.
A PM diz fazer rondas diuturnas e abordagens a suspeitos no DF. A Secretaria de Segurança Pública informou que, semanalmente, organiza reuniões com os moradores para identificar problemas. Segundo o secretário de Segurança Pública em exercício, Paulo Roberto Batista, essa participação é fundamental. “É um canal aberto diretamente com a secretaria, acredita.
Dicas
» Antes de parar em um estacionamento, organize os objetos que você vai precisar e saia do carro com rapidez.
» Oriente os empregados e os familiares a não darem notícias sobre você ou informações pessoais por telefone.
» Se for buscar os filhos no colégio, seja pontual.
» Não circule sozinho em ruas vazias ou escuras.
» Fique atento à aproximação de carros suspeitos.
» Não estacione o veículo em locais isolados e sem iluminação.
» Mude a rotina e o itinerário
caso se sinta seguido, mas avise a mais de uma pessoa conhecida.
» Se observar algum movimento suspeito ao redor do veículo,
ligue imediatamente
para a Polícia Militar (190).
Depoimento
“Saio do carro logo”
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| “Sempre dou uma volta na quadra e, quando chego para estacionar, já vou tirando o cinto (de segurança), pego a bolsa e saio do carro logo. É muito rápido. Quando eu preciso ir ao comércio, tomo o cuidado de observar tudo ao meu redor e costumo deixar o carro dentro da quadra porque já fui intimidada por um pivete. Ele me pediu dinheiro, e eu peguei algumas moedinhas que estavam no carro. Só tinha R$ 0,15, ele não gostou e me ameaçou. Depois disso, eu resolvi só parar dentro da quadra.” |


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