A opinião de Ricardo Callado
Eleição chegando, é hora de ir as compras. Os candidatos ao Palácio do Buriti planejam, cada um com sua turma, um rolezinho eleitoral. É hora de somar. De buscar alianças. Se fortalecer ao mesmo tempo que enfraquece o adversário.
A onda do tal de rolezinho que acontece nas principais cidades do país tem semelhanças com a corrida eleitoral. A molecada não está dando a mínima para a luta contra a exclusão social. A onda é juntar gente. E “catar umas minas ou uns gatinhos”! Ou dá um rolé com os brother. ...
Na política, a preocupação é acordos e a campanha eleitoral. A população está excluída nesse momento. Não dão a mínima para o que o povo pensa. Querem juntar gente. Catar uns partidos e uns aliados brother bons de voto. E com tempo de tevê.
Se nossos políticos dessem um rolezinho pela cidade, iam perceber que muito precisa ser feito. Problemas de infra-estrutura, segurança, trânsito. Na saúde e na educação. A molecada da periferia que usa o direito de ir e vir para se reunir nos shoppings conhecem bem essa realidade.
Os rolezinhos não são uma forma de protesto, mas por se tornar polêmico escancara os graves problemas sociais do país. A repressão mostra o abismo entre a periferia e as classes média e alta. Não essa falsa classe média que o governo usa para iludir o povo.
É difícil acreditar que o país vai bem. Que o Bolsa Família tirou milhões da miséria, se a cada ano centenas de milhares de famílias são inseridas no programa para ganhar miséria. Se o programa fosse um sucesso, o número de participantes deveria diminuir e não aumentar a cada ano.
Hoje, um a cada quatro brasileiros recebe o Bolsa Família. O governo pretende aumentar isso para a metade da população. É uma vergonha. E paliativo. O que se nota é que a população está empobrecendo. Cada vez mais há um número maior dependente dos programas sociais do governo. Dependente e constrangida a votar em seus pseudo benfeitores. Trata-se de compra de voto com dinheiro público.
A molecada do rolezinho nada mais é do que vítima dos programas sociais. Da exclusão social que eles causam. Impedem as famílias de progredir, engessadas por pequenas quantias repassadas pelo governo.
A molecada da periferia começou a entender isso. E querem mais. Não estão satisfeitos. O que é direito de todo brasileiro. Trabalho digno para que possam se manter, ao invés de serem tutelados pelo Estado. Oportunidade e qualidade de vida.
Quem está no poder não tem interesse em que essa grande camada da sociedade suba degraus. Preferem que sejam gratos e continuem recebendo mixarias em troca de votos. Como gado no curral que recebe sua ração diária.
A classe C, que insistentemente o governo chama de classe média, não passa de famílias que ganham salário mínimo, ou um pouco mais, que estão endividadas porque o governo forçou através de propaganda a consumir e consumir. O modelo chegou ao esgotamento. O país não aguenta mais os números maquiados da economia e as mentiras.
Os rolezinhos não são protestos. Ainda. Podem acender novamente a chama da indignação popular e colocar os povo nas ruas. Por enquanto nos shoppings. O movimento tende a se expandir e ganhar o apoio de trabalhadores, donas de casas e movimentos organizados.
O governo monitora com preocupação. A própria presidente Dilma convocou uma reunião para tratar do assunto. Ela está escaldada. Sabe que o momento não é bom para o governo. Bom seria se autoridades dessem um rolezinho na periferia e solucionasse de verdade o problema da desigualdade no país. Mas de verdade mesmo, não com programas para se perpetuar no poder e enganar o povo. Somos todos rolezinho. É legítimo.
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