Campanha lançada pelo Correio repercute nas redes sociais
Dificilmente um cidadão comum, acostumado a trabalhar pelo menos cinco dias por semana para ter o salário na conta todo fim do mês, vai aceitar que o político que escolheu para representá-lo tenha decidido trabalhar somente às terças-feiras. Do arcebispo de Brasília, Dom Sérgio da Rocha, passando pela classe artística, todos criticaram a decisão dos parlamentares da Câmara Legislativa.
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“O povo quer ver os distritais trabalhando, e muito. Ano de eleição tinha de ser ano de atividades redobradas em prol da sociedade e não uma espécie de licença remunerada, como o que vemos”, opinou Dom Sérgio. Em entrevista ao Correio, o líder religioso foi além. Disse que a situação “põe em xeque a ética na política e a credibilidade dos nossos deputados”. “O modo com que eles trabalham e também o tempo que se dedicam às questões da população têm tudo a ver com estes dois pontos fundamentais: ética e credibilidade. É grave e muito delicado perceber que os distritais ocuparão o tempo privilegiando interesses pessoais e não o próprio mandato para o qual foram eleitos”.
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Na internet, a hashtag #vaitrabalhardeputado se tornou viral (notícia que se espalha rapidamente). A capa do Correio de ontem foi compartilhada pelo menos 470 vezes e curtida outras 600 no Facebook. A revolta é evidente na fala de todos os entrevistados pela reportagem, que fizeram coro à campanha. “Acordo às 4h e chego em casa depois das 20h, enquanto esses caras têm toda a mordomia e nem querem trabalhar?”, questiona o ajudante de pedreiro Ivan Carvalho, 28 anos. Gerson Inácio da Conceição, 48, é monitor em uma escola, e considera “uma falta de respeito” os distritais trabalharem somente uma vez por semana. “Votamos neles, depositamos nossa confiança para que defendam nosso direitos”, diz.
Meio cultural
O vocalista da banda brasiliense Natiruts, Alexandre Carlo, acredita ser um absurdo o povo ter de pagar “uma das maiores taxas de imposto do mundo” e, como retribuição, ter representantes sem vontade de reverter isso para a população. “Coincidência ou não, os maiores picaretas que conheci no meio musical migraram para a política”, lembra. O cantor do conjunto Móveis Coloniais de Acaju, André Gonzáles, revolta-se com as altas cifras que envolvem o trabalho dos deputados — por ano, eles podem custar até R$ 62 milhões. “Deputados, pagamos muito caro para ter vocês no Legislativo! O mínimo que devem fazer é comparecer ao local de trabalho”, destaca. Para o poeta Nicolas Behr, os eleitores devem estar cientes que eles têm parte da responsabilidade do que é votado pelos deputados, já que os colocou no parlamento.
“A Câmara Legislativa é uma das caras da sociedade. Uma cara feia, sombria, mas não deixa de ser um reflexo. A decisão dos parlamentares é fruto da omissão política dos eleitores”, alerta. Ciente da iniciativa #vaitrabalhardeputado, Behr lembra que a população tem, hoje, o poder de interferir na política. “A democracia tem para onde evoluir. Essa campanha é boa, é salutar.”
FONTE: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2014/04/04/interna_cidadesdf,421285/brasilienses-nao-poupam-distritais-e-ate-arcebispo-cobra-politicos.shtml


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